15/02

Às vezes você acha que sabe tudo?

Postado dia 15 de fevereiro de 2016

2011-10-07 20.01.52

 

Por Gustavo Bessa

 

Eu sempre tive dificuldades para começar a escrever. As ideias simplesmente teimam em não aparecer. Parece que elas fogem de mim como quem está brincando de pega-pega. Quanto mais eu tento alcança-las, mais rapidamente elas se escondem. A minha vontade é desistir, fechar o computador e me ocupar com outras atividades. Mas eu sei que não posso desistir. Eu preciso mostrar para mim mesmo e para as ideias que o caminho mais fácil nem sempre é o melhor caminho. O melhor caminho é sempre o caminho da obediência perseverante. Quanto mais fortemente somos tentados a desistir no meio do caminho, mais intensamente precisamos buscar forças em Deus para perseverar. No fim, Deus nos leva ao lugar de onde nunca poderíamos ter saído: o lugar da dependência dEle.

 

Alguns podem chamar isso de fatalismo: o homem é simplesmente um robô incapaz de fazer escolhas livres. Eu não chamo isso de fatalismo apesar de ainda não conhecer um nome para conceituar essa ideia. Sei que, ao mesmo tempo em que Deus é totalmente poderoso e soberano, o ser humano é totalmente livre e responsável. Deus permanece assentado no trono, governando sobre tudo e sobre todos; e o homem permanece fazendo as suas escolhas com liberdade e responsabilidade. Se me perguntarem como acontece essa interação entre a soberania de Deus e a liberdade do homem, tranquila e confiantemente responderei que não sei. Eu não consigo entender muitas coisas. Essas coisas que não entendo, eu as chamo de mistério.

 

Antes, eu tinha muita dificuldade com o mistério. Eu achava que todo mistério existia para ser desvendado e explicado. Eu achava que a minha razão era capaz de resolver todos os problemas. Hoje eu não penso mais assim. Os meus óculos teológicos foram sendo ajustados à medida que eu vivia novas experiências, lia a Bíblia, conversava com outras pessoas, lia livros e participava da celebração e comunhão da igreja. Durante essa jornada, fui levado a reconhecer e reconheci os meus limites. Existem coisas que estão à nossa volta para serem descobertas; mas existem outras que estão à nossa volta para nos lembrarem dos nossos limites.

 

Os mistérios existem. Deus os criou para serem os nossos pedagogos. Os mistérios nos confrontam todos os dias e nos fazem saber que jamais teremos todo o conhecimento. Somos limitados. Somente Deus é ilimitado, infinito e todo-poderoso. Somente Deus sabe todas as coisas e conhece todos os mistérios. Eu e você não. Somos frágeis e limitados. Nós somos pó! E por mais que queiramos conhecer todas as coisas, em muitas ocasiões, as ideias e as revelações simplesmente se escondem de nós.

 

O apóstolo Paulo nos ensinou a atitude correta diante do mistério de Deus. Quando ele se defrontou com beleza e complexidade do plano de Deus para a salvação do ser humano, ele exclamou em adoração a Deus: “Ó profundidade da riqueza da sabedoria e do conhecimento de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos e inescrutáveis os seus caminhos! Quem conheceu a mente do Senhor? Ou quem foi o seu conselheiro? Quem primeiro lhe deu, para que ele o recompense? Pois dele, por ele e para ele são todas as coisas. A ele seja a glória para sempre! Amém” (Romanos 11.33-36 – NVI).

 

A “linha de chegada” da nossa corrida cristã sempre passa por esse lugar do mistério, do reconhecimento dos nossos limites, da dependência de Deus e da obediência perseverante. Mesmo que não tenhamos todo o conhecimento, sabemos que Deus não somente tem todo o conhecimento, mas também nos ama e se revela a nós. Quando ouvimos a voz de Deus, chamando-nos para dar um passo em direção ao nosso futuro, mesmo que não conheçamos todo o percurso da jornada, podemos seguir em frente. Caminhamos por lugares desconhecidos por nós, mas totalmente conhecidos por Deus. Caminhamos por causa da nossa obediência perseverante. Assim, enquanto dependemos de Deus e seguimos adiante, não somente a nossa vida passa por mudanças, mas também os nossos óculos teológicos são ajustados. Passamos a ver o mundo à nossa volta com novos olhos e com um novo coração. Descobrimos que, mesmo que tenhamos dificuldades para começar um texto ou para continuar escrevendo, não podemos desistir jamais. Deus, para quem não existem mistérios, está conosco!

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25/01

Feliz Ano Novo

Postado dia 25 de janeiro de 2016

Brasil

 

 

Gustavo Bessa

 

Eu sei que parece muito tarde para desejar um Feliz Ano Novo, mas eu não escrevo nada desde o Natal do último ano. Tirei um tempo para orar em relação ao ano de 2016. Deus colocou uma palavra em meu coração: RECONSTRUÇÃO. Sei que Deus ainda está desconstruindo muitas coisas. Ele começou a sacudir os nossos alicerces em 2014, continuou essa obra de desconstrução em 2015, e ainda está abalando muitos alicerces em 2016. Contudo, eu creio que Deus iniciará uma obra de reconstrução nesse novo ano.

 

Em 2014, o Brasil sediou a Copa do Mundo e foi eliminado depois de perder de 7×1 para a Alemanha. O futebol, “paixão dos brasileiros”, tornou-se a decepção dos brasileiros. Meses depois, as eleições sacudiram o país de norte a sul. Foram debates, embates, militância e, sobretudo, desconstrução. Não somente os candidatos foram desconstruídos, mas o país foi abalado. No fim, o Brasil revelou-se dividido. Foram as eleições mais disputadas e doídas dessas últimas décadas.

 

Em 2015, a economia brasileira derreteu juntamente com a política. À medida que a operação Lava Jato jogava água para limpar as sujeiras na Petrobrás, as faces de muitos políticos foram expostas. E a luz não mostrou, senão a feiura de muitos rostos. Por detrás de inúmeros discursos e performances havia a compra e a venda do país para a ganância de alguns políticos e bilionários. Os alicerces da política eram sacudidos e os fundamentos da economia, abalados. Ao verem a feiura da política brasileira, as nações questionaram a nossa economia e retiraram os investimentos da nação. O dinheiro internacional, que durante anos movimentou as engrenagens da economia, “bateu as asas e voou” para bem longe: Índia, Vietnã, e também Chile e Peru.

 

Estamos iniciando o ano de 2016. Ainda que alguns prognósticos sugiram que a situação irá piorar, eu vejo esperança. Existe a possibilidade do país ser reconstruído em cima de novas bases. No meio das crises, depois de não encontrarem respostas em lugar algum, as pessoas se voltam para Deus. E o mais maravilhoso disso tudo é que Deus não se esconde, mas se deixa encontrar. E a promessa dEle é: “Se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar, e orar, e me buscar, e se converter dos seus maus caminhos; então eu ouvirei dos céus, perdoarei os seus pecados, e sararei a sua terra”. Vem, Senhor, e reconstrua a nossa vida e também a nossa nação.

 

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23/12

A liberdade tem limites?

Postado dia 23 de dezembro de 2015

(Esse texto foi uma pregação que fiz há alguns anos atrás. Por que ele está em formato de sermão, ele é maior do que os textos anteriores. Espero que você consiga ler até o fim :-) )

Gustavo Bessa

Introdução

Algumas pessoas são conhecidas enquanto estão vivas. Outras, só são lembradas, depois que já morreram. Esse é o caso de Dietrich Bonhoeffer. Ele foi um dos pastores que lutou contra o regime nazista alemão. A sua briga era contra a escravidão que o nazismo estava impondo às pessoas. A sua luta era contra a manipulação promovida pelo nazismo. Ele não concordava em que a igreja alemã não tomasse uma postura em favor da liberdade. Por isso, ele condenava tanto as igrejas como o governo nazista.

Como cristão, ele queria a liberdade para pregar. E ele queria que outros experimentassem a liberdade. Ele lutava pela liberdade. Apesar de pressionado de tantos lados, por pessoas que o aconselhavam a ficar em silêncio, Bonhoeffer decidiu continuar pregando. Pouco tempo depois, ele foi preso e morto em um campo de concentração.

Infelizmente, a luta de Bonhoeffer não é a luta de muitos outros que se chamam cristãos. Nem todos os que se chamam cristãos lutam pela liberdade. Nem todos os que se chamam cristãos vivem a liberdade. Há muitos que já se acomodaram a alguma situação de não-liberdade. Querem simplesmente continuar vivendo a vida sem muitos percalços ou muitas mudanças. Querem ter o nome de cristãos sem terem que agir como cristãos. Acham que as coisas nunca vão mudar e que é melhor continuar aceitando a não-liberdade.

Entretanto, a não-liberdade jamais é característica do cristão. A Bíblia apresenta o cristão como uma pessoa livre. Apenas os livres é que são cristãos. O retrato do cristão é o de uma pessoa livre: livre das tradições, livre do medo, livre do mundo e livre do pecado. Se você se chama cristão, você precisa ser livre. Em 1Coríntios 9.19-27, o apóstolo Paulo fala sobre isso.

 

1 – Em primeiro lugar, se você se chama cristão, você precisa ser livre;

e

por isso, não ter receio de pregar a todas as pessoas em quaisquer situações ou lugares.

 

Veja o que Paulo diz no v.19: “Porque, embora seja livre de todos”. Essa é a grande afirmação do apóstolo Paulo. Eu sou livre de todos. Na pregação que eu faço, no meu testemunho como cristão, eu sou livre das opiniões; eu sou livre das imposições; eu sou livre das pressões externas.

Essa afirmação de Paulo tinha razão para acontecer. Havia ali, naquela igreja de Corinto, um grupo que tachava as regras de conduta. Eles diziam que ninguém poderia comprar carne no mercado, ninguém poderia participar de festas ou reuniões com incrédulos, ninguém poderia comer com incrédulos. Na verdade, ninguém poderia ter qualquer contato com incrédulos. Esse grupo era muito forte e tinha uma grande influência sobre as pessoas da igreja. Eles estavam querendo controlar a vida e o testemunho das pessoas por meio de suas opiniões e imposições.

 

Atualmente, há muitos cristãos que estão debaixo dessa mesma escravidão.

  1. Há alguns que são escravos das opiniões das outras pessoas. São os crentes políticos. Eles não têm uma convicção pessoal para agir desta ou daquela maneira. Eles fazem ou deixam de fazer as coisas com medo do que as outras pessoas podem dizer. Se ele pensa que a outra pessoa pode brigar com ele se ele agir dessa maneira, então, ele não age dessa maneira. Se ele imagina que o outro pode ficar com raiva se ele falar de um jeito, então, ele não fala. Ele é um cristão político. Parece que está sempre tentando conseguir uns votos diante das pessoas. Ele age de acordo com as opiniões e não de acordo com as convicções. Se as opiniões apontam todas elas em uma direção, ele segue naquela direção. Se as opiniões dizem que todos devem usar o cabelo comprido, ele usa o cabelo comprido e condena a minoria que não usa. Se as opiniões dizem que ele tem que abandonar a coca-cola, então ele segue as opiniões e condena a minoria que não segue.
  2. Há alguns que são escravos das imposições das outras pessoas. São os crentes acomodados. Se o fulano falou que todos devem agir de um jeito, ele simplesmente se acomoda. Ele não quer gastar o tempo pesquisando para saber se aquilo é verdade. Ele não quer ter o trabalho de pesquisar o que a Bíblia fala sobre aquilo. Ele não quer ter o encargo de discutir as opiniões dos outros. Ele quer ficar tranqüilo. Ele não quer ser importunado. Ele não quer arrumar confusão para o seu lado. É muito mais fácil aceitar todas as coisas sem pesquisar, quer sejam verdadeiras ou não. É muito melhor pregar o que todo mundo está pregando. É muito melhor fazer o que todo mundo está fazendo. É muito mais fácil agir como todo mundo está agindo. Segundo o seu pensamento, é muito melhor deixar as coisas acontecerem por si mesmas.
  3. Ainda há outros que são escravos das pressões externas. Se existe alguma pressão externa, ele logo muda de opinião e de atitudes. Se ele está solteiro por muito tempo, e não consegue encontrar um cônjuge dentro da igreja, então, ele, logo, muda o seu discurso. Diante das pressões das pessoas e da sociedade, que fazem chacota da solteirice, ele começa a pregar que não há qualquer problema de se conseguir casamento com um não crente. E diz que o convívio vai santificar o incrédulo. As pressões da sociedade sobre a sua solteirice o fazem mudar o seu discurso. Ele não muda de discurso por convicção. Ele muda por pressão. Se as pressões externas o influenciam a tomar uma certa atitude, ele logo se entrega.

 

A luta de Paulo era contra esse tipo de pensamento dentro da igreja: esse pensamento dominador, controlador, manipulador. Esse pensamento que transforma os homens livres em máquinas; que coloca todas as pessoas numa mesma forma e exige que todas ajam da mesma maneira. Por isso, Paulo olha para si mesmo e chama os outros a terem-no como exemplo. Ele afirma que é livre de todas as pessoas.

Na sua pregação, no seu testemunho de vida, ele é livre de todas as opiniões, imposições e pressões. Ele não é obrigado a abrir mão das convicções que ele tem. Ele não é obrigado a se sujeitar a essa ou aquela idéia por medo, ou receio ou por política. Ele não é obrigado a fazer isso ou aquilo porque um grupo afirma que esse é o certo.

Antes, pelo contrário, porque ele é livre, ele é livre para pregar e para testemunhar Cristo diante de quaisquer pessoas e em quaisquer situações. Porque ele é livre, ele pode fazer tudo o que for necessário para pregar o evangelho, sem se preocupar se o grupo A ou B não vai concordar com as suas atitudes. Na sua pregação do evangelho, no seu testemunho do dia-a-dia, ele não tem que ficar pisando em ovos, imaginando que alguns possam não gostar da atitude que ele está tomando.

Exatamente porque ele é livre, ele pode se tornar escravo de todas as pessoas, sem ter que dever coisa alguma a ninguém. Porque ele é livre, ele pôde dizer:

 

Tornei-me judeu para os judeus, a fim de ganhar os judeus. Para os que estão debaixo da Lei, tornei-me como se estivesse sujeito à Lei (embora eu mesmo não esteja debaixo da Lei), a fim de ganhar os que estão debaixo da Lei. Para os que estão sem lei, tornei-me como sem lei (embora não esteja livre da lei de Deus, e sim sob a lei de Cristo), a fim de ganhar os que não têm a Lei. Para com os fracos tornei-me fraco, para ganhar os fracos. Tornei-me tudo para com todos, para de alguma forma salvar alguns. Faço tudo isso por causa do evangelho, para ser co-participante dele” (1Co 9.20-23).

 

Porque ele era livre, ele poderia se envolver com os judeus e pregar para os judeus, sem se preocupar se os gentios iriam ficar com raiva dele. Porque ele era livre, ele poderia colocar-se como quem estivesse sujeito à Lei, sem se angustiar se algumas pessoas se virassem contra ele. Porque ele era livre, ele poderia tornar-se fraco para conquistar os fracos, sem se preocupar se outros não fossem se agradar daquela atitude. Porque ele era livre, ele não estava sujeito àquilo que as pessoas poderiam pensar acerca dele. Ele estava sujeito apenas ao evangelho e não aos pensamentos que as pessoas tinham disso ou daquilo.

Da mesma maneira que Paulo, se você se chama cristão, você precisa ser livre. Apenas os cristãos é que têm poder para ser livres. A liberdade é para você, que é crente. Você precisa ser livre para seguir o evangelho; livre para testemunhar Jesus, livre para não se deixar manipular pelas pressões de outras pessoas, que querem controlar a sua vida.

Se, por causa do evangelho, os missionários esvaziaram a festa do deus sol do seu significado anterior e usaram a data para anunciar o nascimento do Sol da Justiça (Lc 1.78), Jesus, e, com isso, eles conseguiram instruir os novos convertidos pagãos acerca do amor de Deus, que bênção! Milhares de pessoas foram alcançadas e transformadas pelo poder do evangelho porque os cristãos se importaram em construir pontes para comunicar a mensagem.

Se, por causa do evangelho, você utiliza a data global em que o Natal é comemorado para anunciar Jesus, anuncie! Enfeite a sua casa, prepare uma árvore, compre presentes e chame a atenção das pessoas para o amor de Deus revelado em Jesus. Aproveite a ocasião para testemunhar a sua vida em Cristo. Participe das reuniões em família, brinque com as pessoas, ria das histórias engraçadas. Deixe a luz do Senhor brilhar através da sua vida. Não se deixe escravizar pelas imposições de outras pessoas.

Como Paulo mesmo afirmou: “Faça tudo por causa do evangelho, para ser co-participante dele” (1Co 9.23).

 

Contudo, o apóstolo Paulo não concluiu a sua proclamação da liberdade nesse ponto. Aquele que se chama cristão não apenas é livre para pregar o evangelho, mas também é livre para não se submeter aos apetites da carne. A questão da liberdade não é apenas um assunto externo. Ela é também um assunto interno. Não adianta ser livre das opiniões das pessoas e das imposições dos homens, e ser escravo dos próprios apetites pecaminosos. Não adianta ser livre das pressões das outras pessoas e ser escravo do próprio pecado.

Ou, parafraseando as palavras de Paulo: “De que adianta participar da corrida, ser conhecido como um grande pregador do evangelho, e, no final, não ganhar o prêmio? Ser reprovado?”.Veja o que Paulo escreve nos vv 24-27:

 

Vocês não sabem que de todos os que correm no estádio, apenas um ganha o prêmio? Corram de tal modo que alcancem o prêmio. Todos os que competem nos jogos se submetem a um treinamento rigoroso, para obter uma coroa que logo perece; mas nós o fazemos para ganhar uma coroa que dura para sempre. Sendo assim, não corro como quem corre sem alvo, e não luto como quem esmurra o ar. Mas esmurro o meu corpo e faço dele meu escravo, para que, depois de ter pregado aos outros, eu mesmo não venha a ser reprovado”.

 

Portanto, se você se chama cristão, você precisa ser livre

e

por isso, submeter os apetites pecaminosos à escravidão

 

O perigo apontado por Paulo é o de as pessoas participarem de um grupo e começarem a se deixar influenciar pelos pecados daquele grupo.

Há algum tempo atrás, um grupo de jovens decidiu ir pregar o evangelho no carnaval de Ouro Preto. Até aí, tudo bem. Os cristãos precisam ir até esses lugares para pregar o evangelho. Os cristãos precisam se envolver com essas pessoas para testemunharem Jesus. Contudo, ao invés de influenciarem os carnavalescos, os cristãos começaram a se deixar controlar pelos próprios apetites pecaminosos. O pecado começou a gritar dentro do coração daqueles cristãos. A carne começou a pressionar o desejo daqueles jovens. Ao invés de submeterem os apetites da carne, eles satisfizeram os apetites da carne. E aquele evangelismo foi um fiasco. Vários jovens deixaram de lado o evangelho e caíram na gandaia.

Mas precisamos ressaltar. Aqueles jovens já estavam na corrida. Diferentemente de alguns, que estavam assentados nas arquibancadas, por não quererem pregar o evangelho para os carnavalescos, aqueles jovens estavam participando da corrida. Eles estavam no caminho certo. Eles estavam fazendo a vontade de Deus. Eles estavam vivendo e proclamando a liberdade em Cristo. Contudo, eles se deixaram dominar pelos apetites pecaminosos. Eles não ganharam o prêmio. Eles foram reprovados naquela situação.

Portanto, não basta pregar o evangelho. É necessário também submeter os apetites pecaminosos à escravidão. Não basta ser livre. É necessário manter-se livre. As pressões internas também são tão fortes quanto as pressões externas. As pressões externas anunciam os desejos dos outros. As pressões internas anunciam os desejos da carne. Todas essas pressões querem escravizar os cristãos e apagar o poder do evangelho.

Por isso, os cristãos precisam tomar muito cuidado. Eles não somente devem descer das arquibancadas e participar da corrida, mas eles devem almejar conquistar o prêmio. Para isso, eles precisam submeter os apetites da carne e não deixar que a carne escravize a sua própria vida. Eles precisam continuar livres de escravidão para continuarem participando da corrida.

Contudo, muitas pessoas, hoje, estão escravizadas pelos apetites da carne.

  1. Há muitos que começaram a pregar para os colegas da escola. Começaram a participar das festas com os colegas. Mas foram displicentes. Foram negligentes em não disciplinar os apetites pecaminosos. Eles não submeteram os apetites pecaminosos à escravidão. Eles não fecharam os ouvidos aos clamores do pecado. E acabaram sendo escravizados. Pouco a pouco, ao invés de influenciarem, acabaram sendo influenciados. Ao invés de levarem as pessoas a mudarem o modo de falar, eles mesmos começaram a falar palavrões e a usar linguagem torpe.
  2. Há muitas moças crentes que começaram a se envolver com as amigas incrédulas. Contudo, elas não sufocaram os gritos da carne. Elas simplesmente fecharam os olhos para os próprios apetites pecaminosos. Elas desconsideraram a força da natureza pecaminosa existente em seus corações. Elas foram displicentes. E pouco a pouco se deixaram manipular pelo pecado. E então, ao invés de ajudarem as amigas a se vestirem de modo digno e honroso, elas começaram a se vestir de modo provocante e sensual. Começaram a se vestir como as amigas incrédulas. Satisfizeram o apetite pecaminoso da sensualidade. Deixaram-se escravizar pelo pecado da sensualidade.
  3. Há muita gente que começou a comemorar o Natal e se deixou perder nos apetites consumistas propagados pela mídia. Ao invés de usar a data como uma ponte para anunciar Jesus, o presente de Deus para o mundo, tais pessoas começaram a usar a data para satisfazer a concupiscência dos olhos e da carne, perdendo-se na glutonaria, no consumismo e nas brigas interpessoais.

 

O alerta de Paulo é para que os cristãos não fossem displicentes no tratamento da carne. Para continuar livre, cada cristão precisa fazer como Paulo: “esmurrar o corpo e fazer dele um escravo”. Porque o cristão está em liberdade, ele tem o poder de não se deixar sujeitar aos apetites da carne. Ele pode dizer não ao pecado. Ele pode rejeitar os apelos do pecado.

Porque você é cristão, você é livre para dizer não a uma proposta de promiscuidade. Você é livre para submeter os desejos da sua carne e impedi-los que levem você à prostituição. Você é capaz de negar qualquer proposta indecente.Você é capaz de manter a sua postura de cristão no meio dos promíscuos. Você tem poder para testemunhar diante de todos que o pecado não governa a sua vida.

Porque você é cristão, você é livre para negar uma proposta de suborno. Você pode dizer para as pessoas que o suborno é pecado e desagrada a Deus. Ainda que a sua carne esteja gritando e dizendo que você precisa do dinheiro, porque você é livre, você é capaz de não se sujeitar aos apetites da sua carne. Você é capaz de testemunhar Cristo diante das pessoas, mostrando que não precisa se comportar como elas.

Se você se chama cristão, você precisa ser livre e manter-se na liberdade para a qual Jesus chamou você. Aproveite, portanto, essa data para, na liberdade de Cristo, colocar-se como responsável para anunciar a todos que Jesus nasceu, morreu, ressuscitou, subiu aos céus e voltará!

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20/12

O que fazer com os pagãos?

Postado dia 20 de dezembro de 2015

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Gustavo Bessa.

Os irmãos estavam com sentimentos variados durante aquela reunião. Podia-se perceber um misto de alegria e de apreensão no ar enquanto Paulo e Barnabé contavam os maravilhosos feitos que Deus havia feito no meio dos gentios pagãos! “Centenas haviam abandonado a adoração aos ídolos e se convertido ao Senhorio de Jesus. Esses novos convertidos estavam cheios do fogo do Espírito Santo e proclamavam o evangelho de Deus com tremenda ousadia”, compartilhavam os apóstolos Paulo e Barnabé.

Contudo, nem todas as pessoas ouviam os testemunhos com o mesmo entusiasmo. O partido dos fariseus messiânicos estava cheio de apreensão com o que poderia acontecer com a igreja a partir da conversão desses gentios pagãos. Eles entendiam que, para manter a igreja pura e protegida, os novos convertidos deveriam se circuncidar e guardar toda a lei de Moisés com as suas prescrições relacionadas aos alimentos, às festas, aos dias sagrados e tudo o mais. Pela primeira vez, a igreja enfrentava um problema que requeria uma reflexão teológica: “O que fazer com os pagãos?”

Até então a igreja tinha sido primariamente formada por judeus que reconheciam que Jesus era o Messias. Esses primeiros cristãos guardavam praticamente intactos os elementos da sua própria cultura judaica – a língua, as festas, os sábados e as tradições, relendo, todavia, as profecias e as promessas com as novas lentes do evangelho de Jesus Cristo. Por ser um judeu-cristão, por exemplo, Paulo celebrava as festas judaicas. Na ocasião em que foi preso, ele estava em Jerusalém, participando em uma das festas judaicas.

Entretanto, esse mesmo Paulo, que guardava as tradições judaicas, se indignou com a sugestão do partido dos fariseus! Ele entendia que os judeus quando se convertem a Jesus devem manter a cultura judaica; mas os gentios pagãos quando se convertem a Jesus não devem absorver a cultura judaica! O evangelho de Jesus não está aprisionado aos elementos culturais do Judaísmo como defendiam os fariseus cristãos! “Foi para a liberdade que Cristo nos libertou” (Gl 5.1), Paulo escreveu aos cristãos da Galácia anos depois desse Concílio em Jerusalém.

Paulo pôde escrever essas palavras aos cristãos da Galácia porque os líderes da igreja primitiva fizeram teologia e história quando se depararam com o problema dos pagãos (At 15). Eles entenderam que o evangelho de Jesus não está aprisionado a nenhuma cultura em particular. Mesmo tendo nascido dentro da cultura judaica, o evangelho não é escravo dos elementos culturais do lugar onde nasceu. O evangelho é poderosamente supracultural! Os judeus podem reler e redimir os diversos elementos da sua cultura na sua adoração a Jesus; e da mesma maneira os gentios podem reler e redimir os inúmeros elementos das suas culturas quando adoram a Jesus.

Quando as pessoas não entendem a supraculturalidade do evangelho, elas valorizam intensamente a cultura do lugar de onde receberam as boas novas. Por isso, elas colocam ternos de lã nos sertanejos, tocam músicas com piano clássico nos cultos dos baianos e excluem a movimentação do corpo nos cultos africanos. Elas exaltam e santificam uma cultura em particular, mas desprezam e demonizam a cultura das outras pessoas.

Mas, graças a Deus pelos primeiros líderes da igreja, os judeus Pedro, Tiago, Paulo, Barnabé e outros! Se o partido dos fariseus cristãos tivesse vencido aquele debate em relação aos gentios cristãos não existiria a beleza da diversidade cultural na igreja global. Todos falaríamos o mesmo idioma, vestiríamos as mesmas roupas, teríamos a mesma liturgia nos cultos, usaríamos os mesmos instrumentos musicais e precisaríamos gostar das mesmas comidas.

Obs.: No próximo post tratarei dos limites da liberdade.

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18/12

Natal é Paganismo?

Postado dia 18 de dezembro de 2015

Hamurabi

Por Gustavo Bessa

Nesses últimos dias, eu tenho lido alguns comentários que têm sido feitos sobre a comemoração do Natal. A maioria das pessoas condena a comemoração do Natal, dizendo que Jesus não nasceu no dia 25 de dezembro e que o Natal é uma festa de origem pagã. De fato, Jesus não nasceu no dia 25 de dezembro, pois, uma vez que os pastores estavam guardando as ovelhas no campo aberto, só podemos concluir que Jesus não nasceu no inverno!

 

Sabe-se também que os pagãos comemoravam o nascimento do deus sol no dia 25 de dezembro, e que os cristãos fizeram uma releitura dessa data para ensinar aos pagãos que Jesus, o Filho de Deus, o Sol da Justiça, desceu dos céus e sobrenaturalmente nasceu de uma virgem. Os cristãos, portanto, esvaziaram o significado do deus-sol e atualizaram o significado do dia 25 de dezembro, usando essa data como uma ponte para anunciar o evangelho.

 

Entretanto, muitas pessoas questionam essa atitude dos cristãos! Dizem que, porque o dia 25 de dezembro era, anteriormente, uma data em que se comemorava uma festa pagã, não podemos celebrar o nascimento de Jesus nessa data. Eu estranho esse tipo de comentário, pois ele me parece ser muito mais islâmico do que cristão. O islamismo é que impede os muçulmanos de fazerem qualquer tipo de contextualização da mensagem. Tanto assim que o islamismo só considera como palavra de Deus o Alcorão escrito em Árabe. Para eles, Deus não fala outra língua, senão o Árabe.

 

Mas nós cristãos cremos de maneira diferente. Cremos que Deus não está limitado ao Hebraico. Deus se comunica em Hebraico, Aramaico, Grego, Latim, Português, Inglês, Chinês e tantas quantas forem as línguas do mundo. Cremos que podemos contextualizar a mensagem para que as outras pessoas entendam o que comunicamos. Cremos que muitos elementos de culturas pagãs podem ser esvaziados de seus antigos conceitos e podem ser atualizados, recebendo conceitos cristãos.

 

Dessa maneira o povo de Israel construiu o Tabernáculo no deserto! Eles usaram o ouro, a prata, o bronze, as pedras e os tecidos que os pagãos egípcios lhes haviam dado. Eles pegaram esse material, que antes era pagão, e usaram esse material para construir a Tenda do Encontro! Eles esvaziaram esse material do conteúdo anterior e atualizaram esses objetos com novos conceitos!

 

Dessa maneira, usando a contextualização, ao entrar na terra, o povo de Israel fez uma releitura das festas pagãs. Os pagãos celebravam a festa da colheita, a festa dos primeiros frutos e daí por diante! O povo de Israel não ignorou e desprezou essas datas. Antes, os israelitas esvaziaram essas festas dos seus conteúdos pagãos e atualizaram, por causa de Deus, o conteúdo dessas festas, introduzindo a mensagem salvífica do Senhor nesses momentos! Muitas festas do povo de Israel são, na verdade, releituras de festas pagãs.

 

Mas alguém pode dizer: “Isso aconteceu no Antigo Testamento! Mas o que o Novo Testamento tem a dizer sobre isso?” Em que língua o Novo Testamento foi escrito? Hebraico? Aramaico? Não! Grego! Uma vez que Deus quer que todas as pessoas ouçam o evangelho, Ele decidiu contextualizar a mensagem e proclamar o evangelho não na língua que Jesus falava, mas na língua que a maior parte da população falava! Assim, Paulo fez uma releitura de diversos termos gregos. Ele utilizou palavras gregas que eram usadas nos cultos pagãos, esvaziou esses termos dos seus antigos conceitos, introduziu conceitos cristãos àquelas palavras e, com essas palavras atualizadas, ele pregou o evangelho! Ele não desprezou ou ignorou essas palavras, mas usou-as como pontes para anunciar o evangelho!

 

Contudo, o maior exemplo de contextualização é Jesus. Ao invés de permanecer falando-nos do céu ou do alto de uma montanha fumegante, Deus assumiu todos os limites e fragilidades de um corpo humano (menos o pecado) com o propósito de nos anunciar o evangelho da graça e da verdade. O Verbo se fez Carne e habitou entre nós! Deus não destruiu pontes, mas usou-as para que nós conseguíssemos ouvir e entender a mensagem do evangelho. Assim, Jesus nasceu em uma manjedoura, passou alguns anos no Egito, cresceu como carpinteiro em Nazaré, viajou pelas estradas romanas, visitou cidades pagãs (Decápolis), comeu com publicanos e pecadores, conversou com as pessoas, usou o dinheiro de Roma para pagar os impostos e nos fez conhecer o evangelho de Deus. Deus trouxe dignidade ao ser humano e usou os diversos elementos da cultura (língua, objetos, artefatos etc) para nos fazer conhecer a mensagem da salvação.

 

Vendo o modo como Deus sempre agiu no mundo em relação aos povos e as culturas, eu não entendo como tantas pessoas questionam a comemoração do nascimento de Jesus no dia 25 de dezembro! Ou elas ignoram o modo como Deus agiu no mundo, em relação ao uso das culturas, para proclamar o evangelho. Ou elas não aceitam que se use a cultura como ponte para anunciar a mensagem de Deus; e, assim, elas mesmas, por causa disso, só conversam em Hebraico.

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11/12

O Natal

Postado dia 11 de dezembro de 2015

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Por Gustavo Bessa

 

Há alguns anos, muitas pessoas têm falado contra o Natal. É uma enxurrada de ataques contra a comemoração natalina. “É uma festa pagã”, dizem uns; “Jesus nunca ordenou ninguém a festejar o seu nascimento”, falam outros. E, assim, dentro da igreja, a comemoração do Natal tem sido relegada ao esquecimento e rechaçada por alguns cristãos. E ai daqueles que defenderem o Natal perto dessas pessoas: são logo massacrados com uma infinidade de argumentos. Começou até mesmo a existir uma divisão dentro da igreja. Surgiu o grupo dos que são a favor da comemoração e o grupo dos que são contra o Natal.

 

Confesso que, para mim, grande parte dessas discussões têm origem em uma hipocrisia farisaica. Penso que se alguns desejam comemorar o Natal, glória a Deus; e , se outros não querem, glória a Deus! Se uns desejam cantar hinos de Natal, Aleluia; e se outros não querem cantar, Aleluia! Se uns desejam colocar árvores enfeitadas em suas casas, para o Senhor estão fazendo isso; e, se outros não querem, para o Senhor estão fazendo isso! Infelizmente, tem muita gente coando o mosquito e engolindo o camelo. Condenam a comemoração do nascimento de Jesus e atacam os seus irmãos por quem Jesus nasceu e morreu. Levantam a bandeira da não-comemoração do Natal e falam mal dos outros que decidiram comemorar. Incham-se pelo conhecimento que julgam ter, consideram-se melhores do que os outros, praticam a maledicência, promovem disputas, guardam ódio no coração, ficam ressentidos e provocam a divisão dentro da igreja. “Acaso Cristo está dividido?” pergunta-nos o apóstolo Paulo. Côa-se o mosquito e engole-se o camelo.

 

Há gente que condena a comemoração do Natal com o argumento de que Cristo não nos ordenou comemorar o seu nascimento. De fato, Cristo não nos ordenou comemorar o nascimento dEle. Mas porque Cristo não nos ordenou comemorar o nascimento dEle, nos é proibido fazer essa comemoração? Cristo também não nos ordenou comemorar dia dos pais, dia das mães, dia das crianças, festa de aniversário, festa da colheita, festa de consagração disso e daquilo e um montão de outras coisas. Essas outras coisas que fazemos estão erradas porque Cristo não nos ordenou fazê-las? Por outro lado, Jesus nos proibiu de fazê-las? Se Jesus não nos proibiu fazer essas tantas coisas, estaríamos errados em fazê-las? O problema é que muita gente tem coado o mosquito e engolido o camelo.

 

Alguns condenam a árvore de Natal. Usam, fora do contexto, para sustentar o seu argumento, o texto de Jeremias 10.4, que diz: “Os costumes religiosos das nações são inúteis: corta-se uma árvore da floresta, um artesão a modela com seu formão; enfeitam-na com prata e ouro, prendendo tudo com martelo e pregos para que não balance”. Em primeiro lugar, esse texto não está falando da árvore de Natal, e, sim, dos ídolos que as pessoas esculpiam a partir das madeiras das árvores. Em segundo lugar, eu nunca vi ninguém se ajoelhando diante de uma árvore de Natal, imaginando que essa árvore fosse um deus. Além disso, quanto aos enfeites da árvore, qual é o problema de se enfeitar uma árvore? Não se enfeitam casas? Não se enfeitam carros? Não se enfeitam cidades? Não se enfeitam pessoas? Entretanto, muitos levantam a bandeira contra a comemoração do Natal e se esquecem de tudo o mais. Engole-se o camelo e se côa o mosquito.

 

Mas alguém pode dizer: “Mas Jesus não nasceu no dia 25 de dezembro”. É verdade que Jesus não nasceu no dia 25 de dezembro; mas também é verdade que Jesus nasceu! Uma vez que Jesus nasceu, por que não se pode celebrar o Seu nascimento? Só porque a data está errada? Quem nunca comemorou o próprio aniversário fora de data? Polemizar por causa de uma data, as pessoas acham que é importante; mas falar contra as disputas, as competições, as brigas e as divisões entre os próprios irmãos, por quem Jesus nasceu e morreu, poucos são os que se prontificam. Côa-se o mosquito e se engole o camelo.

 

Sei que há muitas outras coisas que poderiam ser ditas. Mas eu queria apenas aproveitar essa ocasião para falar sobre o Natal e lembrar a todos de que se queremos coar o mosquito, que não engulamos o camelo.

 

 

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04/12

O Texto fora do Contexto…

Postado dia 04 de dezembro de 2015

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Por Gustavo Bessa

No século III d.C., um jovem teólogo, atormentado pelas tentações que lhe angustiavam o coração, decidiu se castrar. Ele acreditava que aquelas suas tentações cessariam se ele se mutilasse. Ele não somente não se livrou das tentações como também não pôde ser ordenado sacerdote por causa daquela mutilação.

Orígenes, esse jovem teólogo, decidiu se castrar depois de ter lido alguns textos da Bíblia. Ao que tudo indica, ele foi inspirado por essas seguintes palavras de Jesus antes de tomar essa drástica decisão: “E se o teu olho o fizer tropeçar, arranque-o e jogue-o fora. É melhor entrar na vida com um só dos olhos do que tendo os dois olhos ser lançado no fogo do inferno” (Mt 18.9) e “outros ainda se fizera eunucos por causa do Reino dos Céus” (Mt 19.12).

Eu não sei se Orígenes se arrependeu da sua decisão e nem se outras pessoas decidiram se castrar por causa do exemplo dele. Mas eu sei que textos que são lidos fora do contexto são perigosos! Muita gente se fere e fere outras pessoas porque leem e ouvem textos fora dos contextos. Além disso, muitas pessoas, que são más, publicam textos fora dos contextos com o único pretexto de provocar polêmicas e divisões. Precisamos rejeitar as ações dessas pessoas “mãos de tesouras”, indivíduos que mutilam os textos e que, cortando os textos, tentam mutilar os escritores e os leitores. Muita gente se mutila e se perde porque aceita como verdade um texto fora do contexto. Tais pessoas, tendo sido enganadas, promovem o engano sob o pretexto de estarem fazendo um bem maior!

Mas e Orígenes? Orígenes se dedicou a estudar a Bíblia e a escrever as suas interpretações das Escrituras. Segundo Eusébio, um historiador dos primeiros séculos da era cristã, Orígenes escreveu mais de 2000 obras. Epifânio, um outro estudioso da época, disse que Orígenes escreveu mais de 6000 obras! Contudo, na maioria de suas obras, Orígenes pareceu também mutilar o texto sagrado. Ao invés de considerar o contexto dos textos, ele inventava intepretações alegóricas e fantasiosas para cada texto que lia. Dessa maneira, onde se lia “cavalo” dever-se-ia entender “voz”; onde se lia “fermento” dever-se-ia entender “ensino”; e onde se lia “nuvens” dever-se-ia entender “santos”. Nas complicadas interpretações mutilantes de Orígenes, quase tudo valia como pretexto, menos o contexto do texto.

No fim, a maior parte dos escritos de Orígenes foi considerada herética pela igreja. Mesmo sendo poéticos, belos, chamativos e polêmicos, eles foram rejeitados. Ao invés de trazerem o texto dentro do contexto, eles se tornaram pretexto para que as pessoas provocassem divisões.

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23/11

QUANDO O CHAMADO DE DEUS ACONTECE?

Postado dia 23 de novembro de 2015

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Por Ana Paula Valadão Bessa

Entreguei essa Palavra na Universidade Oral Roberts em Tulsa, Oklahoma, no dia 11/11/15. Como outros pregadores sabem, e creio que vão concordar, ela veio primeiro para mim mesma, ao meu próprio coração que precisava de encorajamento. Às vezes as pessoas podem nos ver no púlpito com um microfone na mão e imaginar que somos feitos de algum outro material que nos torne imunes às batalhas da vida e aos sentimentos naturais do ser humano que chora. Nesse mesmo dia em que viajei de Dallas (onde moro) para Tulsa, horas antes de embarcar no avião, recebi uma notícia que me abalou profundamente. Eu me lembro de ficar sentada por alguns minutos do lado de fora onde podia respirar um ar fresco e então ligar para o Gustavo (meu esposo) para compartilhar e pedir socorro. Logo ele chegou, orou comigo, chorei bastante, mas ainda assim precisei viajar “sozinha” – eu e Deus – e foi na angústia e na solitude (jamais solidão) daquele quarto de hotel em Tulsa que meditei e recebi essa Palavra.

Josué 1.1-9

1 Depois da morte de Moisés, servo do Senhor, disse o Senhor a Josué, filho de Num, auxiliar de Moisés:

2 “Meu servo Moisés está morto. Agora, pois, você e todo este povo, preparem-se para atravessar o rio Jordão e entrar na terra que eu estou para dar aos israelitas.

3 Como prometi a Moisés, todo lugar onde puserem os pés eu darei a vocês.

4 Seu território se estenderá do deserto ao Líbano, e do grande rio, o Eufrates, toda a terra dos hititas, até o mar Grande, no oeste.

5 Ninguém conseguirá resistir a você, todos os dias da sua vida. Assim como estive com Moisés, estarei com você; nunca o deixarei, nunca o abandonarei.

6 “Seja forte e corajoso, porque você conduzirá esse povo para herdar a terra que prometi sob juramento aos seus antepassados.

7 Somente seja forte e muito corajoso! Tenha o cuidado de obedecer a toda a lei que o meu servo Moisés lhe ordenou; não se desvie dela, nem para a direita nem para a esquerda, para que você seja bem sucedido por onde quer que andar.

8 Não deixe de falar as palavras deste Livro da Lei e de meditar nelas de dia e de noite, para que você cumpra fielmente tudo o que nele está escrito. Só então os seus caminhos prosperarão e você será bem sucedido.

9 Não fui eu que lhe ordenei? Seja forte e corajoso! Não se apavore, nem se desanime, pois o Senhor, o seu Deus, estará com você por onde você andar”.

 

DEUS NÃO NOS CHAMA QUANDO SENTIMOS QUE ESTAMOS PRONTOS

Você já reparou no primeiro versículo do livro de Josué? Esse livro começa com palavras terríveis: “Depois da morte de Moisés, servo do Senhor, disse o Senhor a Josué, filho de Num, auxiliar de Moisés…”

Não lemos anteriormente que Deus tenha falado com Josué. Lemos que Deus falava face a face com Moisés, mas não lemos que falasse com Josué. Agora o Senhor falou diretamente com Josué. Uau! Que momento importante! Porém não parece ter sido em um bom momento para Josué. Afinal, ele não devia estar bem. Imagine como Josué estava logo após a morte de Moisés. Devia estar devastado emocionalmente. Moisés era o grande líder do povo de Israel, ungido, com quem Deus falava face a face! Moisés recebia direção clara de Deus para o povo e movia-se em poder sobrenatural.

Josué viu com seus próprios olhos como Moisés liderou o povo na saída do Egito com sinais e prodígios. Ele caminhou os 40 anos no deserto e experimentou os milagres diários e a visitação de Deus quando Moisés entrava na Tenda do Encontro. Agora Moisés tinha partido.

Eu também acredito que Josué estava triste porque Moisés era seu amigo. Ele era o assistente de Moisés e por isso penso que se importava com ele pessoalmente. Eles deviam passar bastante tempo juntos. Eles comiam juntos, conversavam bastante e eram amigos que literalmente atravessaram o deserto juntos! Essa amizade de mais de quarenta anos foi interrompida pela morte do seu amigo. Foi nesse momento que Deus falou e chamou Josué para liderar Seu povo.

Isso também me faz lembrar o chamado de Isaías. No capítulo 6.1,8 nós lemos:

“No ano em que o rei Uzias morreu, eu vi o Senhor assentado num trono alto e exaltado, e a aba de sua veste enchia o templo… Então ouvi a voz do Senhor, conclamando: “Quem enviarei? Quem irá por nós?” E eu respondi: Eis-me aqui. Envia-me!”

Percebe a semelhança? Isaías também estava profundamente triste pela morte do rei Uzias. Talvez você não saiba, mas Isaías era conselheiro do rei, e há tempos, desde Salomão, não tinha existido um rei como Uzias. O que iria acontecer com Judá agora? É bem provável que surgiram dúvidas e ansiedades no coração de Isaías. E foi bem no meio à sua fragilidade que Isaías viu o Senhor e recebeu seu chamado. Além desse estado emocional abalado, Isaías foi levado a perceber sua iniquidade e a do povo no meio do qual vivia. O completo senso de inadequação o invadiu antes de ouvir o chamado divino.

Eu me recordo de vários momentos em que eu não me sentia preparada para cumprir o chamado de Deus em minha vida. Foram exatamente nessas horas em que experimentei grandes marcos da minha vida com Deus, em que Ele me chamou e me impulsionou e me encorajou como fez com Josué e com Isaías.

Quando eu era recém casada viajei com meu esposo para ministrar em Vila Velha, no Espírito Santo. Tivemos uma manhã livre e fomos passear com alguns amigos. Estávamos no mar em Vitória, em jet skis, quando sofremos um acidente em alto mar. Outro jet ski bateu no nosso e a perna do meu esposo foi quebrada em cinco lugares. A fratura era exposta e naquele momento tudo que eu podia fazer era orar no espírito clamando a Deus por socorro. Seu amor estava bem ali conosco, no meio do mar, e um bote salva vidas do Corpo de Bombeiros estava passando. Eles nos levaram até uma praia próxima onde havia uma clínica médica e em pouco tempo Gustavo foi operado pelo cirurgião de plantão, que era o melhor ortopedista do Estado. Uma médica amiga tinha vindo de BH passear aquele fim de semana e pode acompanhar a cirurgia e interceder dentro do bloco cirúrgico. O melhor material foi usado e uma haste de titânio foi colocada na perna do Gustavo ao invés daquela coroa externa de ferro com parafusos que também é mais comum. Em tudo o Senhor nos abençoou, mas ao final de muitas horas de espera eu estava e fragilizada e exausta.

Naquela noite eu tinha o compromisso de ministrar para dezenas de milhares de pessoas na Praia da Costa, no evento chamado Jesus Vida Verão. Eu me lembro como o Gustavo se despediu de mim no quarto da clínica, e choramos e oramos e declaramos que o Senhor Jesus era digno do nosso sacrifício vivo naquela noite. Eu estava indo e ele me enviava para adorar ao nosso Deus e levar Seu amor como uma renúncia da nossa própria vontade, que era de ficarmos quietinhos juntos. Ao subir aquele palco meu coração batia forte. Ainda lembro da lua, das estrelas, das ondas do mar, da multidão na areia. Ainda lembro do óleo fresco do Espírito que correu sobre minha vida para profetizar naquela noite e do vinho novo que nos encheu. Parece mesmo que o espremer das azeitonas e das uvas faz jorrar algo puro e novo da parte do Senhor em nós. Muitas vidas foram salvas e abençoadas naquela noite.

Eu tenho incontáveis experiências ao longo desses quase 20 anos de ministério em que senti que era totalmente inapropriada e incapaz para a missão – e ainda assim o Senhor me enviou. Acho que Deus não quer que percamos o “frio na barriga”, a dependência dEle, como Jesus mesmo nos ensinou em João 15:5. “Sem mim vocês não podem fazer coisa alguma”.

Hoje em dia estou morando nos EUA e sou enviada por Deus para falar diante de multidões em uma língua que não é a minha língua mãe. Lembro de Moisés diante da sarça ardente. Em Êxodo 3 ele responde ao chamado de Deus como se dissesse: “Eu não posso fazer isso que o Senhor está mandando! Eu nem sei falar direito!”. E parece mesmo que o chamado de Deus vem e acontece não quando nos sentimos capazes, mas exatamente quando reconhecemos que não conseguimos por nós mesmos.

 

O CHAMADO DE DEUS ACONTECE QUANDO RECONHECEMOS QUE NÃO PODEMOS POR NÓS MESMOS

Parece que Deus espera até sermos desfeitos na nossa auto suficiência. Moisés havia tentado livrar seu povo dos açoites egípcios uma vez, mas com a força do seu próprio braço o resultado foi um crime (o assassinato do capataz egípcio) e sua fuga para o deserto. Por 40 anos isolado, fora do palácio, parecem tê-lo preparado como numa “Escola Divina do Desaprendizado”. Isso mesmo! Moisés teve que desaprender muitas coisas e só então, quando sequer imaginava que o chamado inicial de Deus em sua vida prevaleceria, é que estava pronto para ser enviado como o grande libertador de Israel. (Selah – Pausei para eu mesma meditar na profundidade disso).

Quantas vezes será que farei cursos nessa “Escola Divina do Desaprendizado”? Volta e meia a vida gira, ou melhor, a roda do Oleiro gira e me percebo como barro que se desfaz e precisa ser refeito. Atualmente passo por esse processo, por ter deixado o Brasil, minha Terra, minha língua, minha parentela, minha comodidade, minha casa, minha igreja, minha maneira costumeira de fazer o ministério, minha equipe, meus amigos, e parece que a lista não termina ao considerar tudo que deixei… Sinto-me completamente desfeita. Outro dia uma música que compus em 2009, da outra vez em que morei aqui, voltou ao meu coração: Teu amor me desfaz. Teu amor me refaz. Quebra tudo e faz de novo. E de novo Teu amor me desfaz…”

Da outra vez em que passei por algo semelhante nasceu uma nova experiência com Deus, com meu esposo, com meus filhos, e o ministério Mulheres e Homens DT. Eu jamais imaginei que poderia ter uma voz profética para as famílias, a base da sociedade e chave para a transformação das nações. Há um preço alto a ser pago para podermos cumprir o

Chamado. E ironicamente, o Chamado só será cumprido quando nos percebermos inadequados. (Haha! Não pude conter a gargalhada ao pensar no “senso de humor de Deus”, como bem se refere a ele o meu marido).

Já pensou sobre o chamado de Gideão? Em Juízes 6:15 posso ouvi-lo respondendo ao Anjo: “Eu? Sou o menos significante da minha casa. Tem certeza de que não deverias ter chamado meu irmão, que é bem mais carismático e criativo e ousado do que eu? Ou que tal a família vizinha, que é mais rica e influente na cidade?”. Quase posso me ouvir argumentando com Deus: “Por que me enviar aos EUA? Sou de um país “em desenvolvimento” (lê-se de 3º mundo, subdesenvolvido, menosprezado). Por que não escolheste uma pessoa mais alta, mais bonita, rica, de um país influente, de língua inglesa?”. E assim todos nós podemos nos identificar com homens escolhidos de Deus na Bíblia e que também não se sentiam qualificados. Parece que Deus realmente espera até nossa arrogância cair por terra para poder nos chamar e encorajar, impulsionar e enviar, assim como aconteceu com Moisés, e com Josué, e com Gideão e com Isaías (e tem acontecido comigo).

O que dizer de Jeremias? “Sou muito jovem”. E de Maria? “Sou virgem”. E de Pedro? “Eu neguei o Senhor 3 vezes”. E de Saulo? “Sou o pior dos pecadores e perseguidor da Igreja”. (Selah. Pausa para minhas lágrimas correrem…)

E você? Sente-se inadequado para o Chamado de Deus? Bem-vindo ao clube! Fazem parte desse grupo Abraão (incapaz de gerar o filho da Promessa), Moisés, Gideão, Davi, Isaías, Jeremias, Maria, Pedro, Saulo e há recém chegados como eu – Ana Paula – e você pode colocar o seu nome aqui também!

Você está enfrentando circunstâncias extremamente difíceis? Pode ser que Deus esteja fazendo com que isso coopere para o seu bem, na desconstrução do velho e na construção de algo novo que te capacitará a viver o seu destino eterno. Lembra-se da história do acidente de jet ski que contei anteriormente? Daquela experiência nasceu a música que se tornou a mais importante do meu ministério até aqui: “Preciso de Ti”. Foi na gravação daquele ano que o Senhor me dirigiu a gravarmos alguns versículos como II Crônicas 7:14 e Tiago 4:8 que convocam Seu povo ao arrependimento para que haja cura. Foi naquele ano que recebi a visão Brasil Diante do Trono e os grandes ajuntamentos começaram. Mediante tudo isso, só posso me render ao processo e encorajar você que lê a fazer o mesmo. Como começamos com a palavra do Senhor a Josué, quando da morte de Moisés (e você sabe o que isso significa), termino ministrando mais uma vez sobre sua vida (e sobre o meu próprio coração):

“Não fui eu quem lhe ordenei? Seja forte e corajoso. Não se apavore nem desanime, pois o Senhor, o seu Deus, estará com você por onde você andar” Josué 1:9.

(Só mais uma coisinha… Será que foi por acaso que esse foi o primeiro versículo bíblico que memorizei ainda criança? (Selah. Pausa de novo… E fico por aqui com “meus botões”).

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13/11

Onde está o seu Deus?

Postado dia 13 de novembro de 2015

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Por Gustavo Bessa

Ninguém está isento de passar por lutas e tribulações. Vivemos em um mundo difícil, que se corrompe e se deteriora a cada instante. As nações passam por crises nas mais diferentes esferas. Alguns países sofrem com as guerras e com as bombas que destroem cidades, casas, famílias e sonhos. Outros países vivem a angústia de não saber o que fazer com os imigrantes, com aqueles homens, mulheres e crianças que, fugindo das guerras, buscam desesperadamente pela oportunidade de recomeçarem a vida. É gente que não quer morrer e que se arrisca, movida por algumas faíscas daquela esperança que ainda sobrevive no coração.

Em alguns lugares, as pessoas se desesperam pela condição econômica e política de suas nações. Acostumadas com uma estabilidade econômica e social, elas sofrem diante das instabilidades da política e do mercado. As lojas permanecem abarrotadas com produtos que não atraem consumidores. As fábricas diminuem a sua produção e despedem os trabalhadores. O número de endividados cresce vertiginosamente e as famílias permanecem boquiabertas diante do quadro da desesperança.

O homem que escreveu o Salmo 42 também viveu uma situação de desesperança. Por alguma razão que não sabemos, ele estava vivendo no exílio, longe da família, dos amigos e da sua cidade. O seu maior desejo era o de se apresentar diante de Deus no Templo em Jerusalém (Sl 42.2). A sua vida havia sido virada de cabeça para baixo. Se antes ele conduzia as multidões à casa de Deus, naquele momento ele se encontrava sozinho (Sl 42.4). Se antes ele era admirado e seguido, naquele momento ele estava esquecido e abandonado. Aqueles que antes não tinham a coragem de lhe dirigir a palavra, naquele momento de desesperança lhe lançavam insultos e dúvidas, dizendo: “Onde está o seu Deus?”

Esses momentos de tribulação, lutas e dúvidas são experiências comuns na vida de inúmeras pessoas. No meio dessas batalhas, os adversários tentam se aproveitar da fragilidade dos nossos corações. Eu me lembro das muitas vezes em que o inimigo me lançou sugestões nos ouvidos. O inimigo pareceu colocar-se sorrateiramente ao meu lado e sussurrar: “Onde está o seu Deus? Será que foi Deus mesmo quem lhe falou para tomar aquela decisão? Será que Deus está do seu lado?”

Como é difícil ouvir essas sugestões que lançam dúvidas no nosso coração. No primeiro momento, como não somos feitos de ferro, nos entristecemos e choramos. A nossa tendência é a de nos prostrarmos desanimados, acreditando em todos aqueles sussurros lançados em nossos ouvidos. A nossa outra reação é a de abrirmos a nossa boca e orarmos a Deus, dizendo: “O que está acontecendo? Onde o Senhor está? O Senhor se esqueceu de mim? Tenho buscado viver em fidelidade e pureza, mas o Senhor não vê? Por que o Senhor permite que eu viva essas tribulações enquanto tantos homens maus zombam e riem de mim?”

Quem nunca fez orações assim? Eu já fiz esse tipo de oração muitas vezes. Há poucos dias, eu me prostrei para dizer a Deus, com transparência, todas essas palavras. Com a seriedade e a força do meu coração, argumentei com Deus e apresentei a Ele todas as batalhas que tenho enfrentado nesses últimos tempos. Sei que Ele me ouviu, ainda que, aparentemente, Ele não tenha mudado nada da minha situação externa.

Deus sempre ouve e sempre nos chama à esperança.

Foi assim que o salmista terminou a sua oração. Depois de falar e de se abrir com Deus (como se Deus já não soubesse de tudo!), ele se voltou para a própria alma e falou: “Por que você está assim tão triste, ó minha alma? Por que está assim tão perturbada dentro de mim? Ponha a sua esperança em Deus! Pois ainda o louvarei; ele é o meu Salvador e o meu Deus”. No final dos lamentos de desesperança e das lágrimas de lamento existem os testemunhos de fé e as promessas de esperança.

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02/11

Duas mulheres e um socorro

Postado dia 02 de novembro de 2015

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Por Ana Paula Valadão Bessa

Esse fim de semana estive em Orlando, na Flórida. Ministrei no Chá Das Amigas, um encontro com 400 mulheres, realizado pela Primeira Igreja Batista. Ali estavam representadas várias igrejas da cidade e pude conhecer um pouco melhor sobre o desafio de alcançar os brasileiros que vivem naquela região. Somente na Flórida Central há mais de 60 mil brasileiros e, atualmente, apenas 2 mil deles estão nas igrejas. Chegamos à conclusão de que os nossos compatriotas fora do Brasil são um povo não alcançado pelo Evangelho e precisamos de um mover do Espírito Santo para despertá-los. Enquanto orava pela Palavra que eu deveria entregar, a história de duas mulheres vieram ao meu coração e compartilho com vocês.

II Reis 4:1-37 conta a história de duas mulheres. Elas se tornaram conhecidas através dos séculos porque experimentaram milagres em suas vidas. Elas se tornaram referenciais para nós, que, hoje, também precisamos de milagres em nossas vidas. Vamos observar as duas mulheres desse capítulo e vamos aprender com elas (Leia as duas histórias).

Que relato maravilhoso! Vemos que as duas mulheres estavam enfrentando situações difíceis. Mas mais do que difíceis, eram circunstâncias impossíveis. Problemas para os quais elas não tinham solução. Elas experimentaram milagres!

Quantas vezes nós também enfrentamos situações assim? Problemas para os quais nós não temos solução? Qual é o seu problema, mulher? Você precisa de milagres em sua vida? (Pare um minuto e pense).

Para a primeira mulher, o problema era uma dívida enorme que ameaçava até a vida de seus filhos. Sabemos como os problemas financeiros podem afetar os relacionamentos, a vida da família. Há famílias que se desfazem debaixo das pressões financeiras.

Para a segunda mulher, primeiro havia o problema da infertilidade, e depois a morte do filho. Os dois problemas eram impossíveis para ela solucionar por si mesma.

As duas mulheres tinham problemas gravíssimos. A primeira era pobre. A segunda era rica.

Lição número 1- O dinheiro não era o socorro dessas mulheres.

Quantas mulheres estão correndo atrás do dinheiro, pensando que ele é a solução para tudo! A primeira mulher não foi em busca de um trabalho primeiro. Ela não foi se prostituir em busca de um atalho para solucionar aquela dívida. Quantas mulheres negociam valores morais, éticos, do seu caráter e da sua fé para permanecer em um trabalho de onde pensam que vem o seu socorro. Cedem a patrões que as assediam sexualmente. Falam mentiras que “precisam” ser ditas em uma negociação. Essas mulheres estão confiando no dinheiro como seu socorro.

Aquela mulher não vendeu seus filhos como escravos para solucionar aquele problema financeiro. Não! Quantas mulheres estão sacrificando a vida de seus filhos em troca de uma vida financeira mais tranquila… Não! Nada se compara à presença da mãe na vida de um filho. A presença da mãe na vida dos filhos vale mais do que um bom tênis de marca, do que uma escola melhor, do que brinquedos caros.

A segunda mulher era rica. É interessante que quando o menino morreu ela não saiu correndo atrás de um médico primeiro. Ela tinha os recursos. E nós? Quantas vezes nos apoiamos muito mais no socorro terreno que as finanças podem nos dar? Nos sentimos seguras se temos um seguro de saúde mais caro? Se temos o melhor médico, se podemos pagar pelo melhor tratamento? Tudo isso pode ser bom, mas o dinheiro não pode comprar saúde. Na verdade o dinheiro não pode comprar as coisas mais preciosas da vida.

“O dinheiro não é o meu socorro” (repita)

Vamos olhar para as duas mulheres mais um pouco.

A primeira era viúva, não tinha marido. A segunda era casada, tinha marido.

Será que no lugar da primeira mulher nós não iríamos buscar socorro em um marido rico? Um homem que pudesse assumir nossa dívida? É claro que é difícil criar dois filhos sem a ajuda de um homem, da figura masculina e tudo que ele representa. Mas não foi isso que essa mulher fez. Ela não saiu atrás de um marido.

A segunda mulher tinha marido. É interesante ler como ela não compartilhou sobre a morte do menino nem com o marido! (Leia os versos 22 e 23).

Lição número 2- O marido não era o socorro dessas mulheres

Há mulheres que pensam que a solução de todos os seus problemas está em um marido. Mulheres solteiras que não conseguem ser felizes e pensam que a solução está em se casar. Se fosse assim, os gabinetes de aconselhamento pastoral não estariam cheios de mulheres casadas cujos problemas são exatamente os maridos!

Outras mulheres, casadas, pensam que a solução está em deixar esse marido e encontrar outro marido.

Isso me faz lembrar do encontro de Jesus com outra mulher, a Samaritana. Em João 4:4-42 lemos sobre esse encontro e a conversa que tiveram. A vida daquela mulher e de toda a sua comunidade foram transformadas por causa do encontro que ela teve com Jesus (Leia os versos 13-19).

Jesus via a sede que aquela mulher tinha por ser feliz, e via que ela estava buscando saciar sua sede em relacionamentos. Mas homem algum pode trazer o socorro que precisamos. Nem mesmo para os problemas que enfrentamos na vida. Nem mesmo para as angústias interiores, o vazio que temos dentro do nosso coração.

Precisamos tirar o peso que colocamos sobre os homens. São expectativas que serão frustradas, pois os vemos como se eles fossem nosso socorro, nossa solução, nosso Deus. É claro que foi o próprio Deus quem estabeleceu o casamento e nos formou para completarmos um ao outro. Mas como disse Agostinho: O coração do ser humano tem um vazio infinito que somente O Infinito pode preencher”.

O marido não é o meu socorro” (repita)

A primeira mulher foi falar com o profeta. Ela foi atrás de Eliseu. (II Reis 4:1). Ela seguiu todas as suas instruções em fé e obediência, ainda que parecessem loucura. Ela confiou na instrução de Deus para ela.

A segunda mulher, a sunamita, foi atrás do profeta, foi buscar Eliseu. Ela deu ordem ao servo para ir rápido e não parar no caminho. Ela não compartilhou o problema com ninguém, nem com o marido, nem com seu servo, nem com Geasi. Ela agarrou as pernas de Eliseu e ele teve que ir com ela até seu filho morto. Ela sabia que somente Deus era o seu socorro.

Lição número 3 – O meu socorro vem do Senhor

Não estou aqui advogando para que tenhamos um profeta a quem buscamos quando estamos enfrentando problemas. Algumas pessoas desenvolvem uma dependência espiritual para com outras pessoas e ao invés de crescerem na fé e aprenderem a buscar por si mesmas, ficam sempre dependentes de que outros orem por elas. Precisamos entender que naquela época buscar a Eliseu era buscar a Deus. Eliseu era chamado “O homem de Deus”. Naquela época o Espírito Santo não havia ainda sido derramado sobre toda carne. Eliseu era o profeta que carregava essa Presença de Deus e por meio dele os milagres eram operados. Mas hoje vivemos o cumprimento da profecia de Joel 2:28,29, em que o Espírito foi derramado e todos nós podemos ser cheios do Espírito Santo! Jesus disse que os sinais seguirão os que creem nele (Marcos 16:17)! Você mesma pode ser cheia do Espírito Santo e ver os milagres operando em sua vida e na vida de outros por seu intermédio!

Ainda assim acredito no poder da oração em concordância, em parceria com outras pessoas de oração (Mateus 18:18,19). Não devemos sair espalhando nossos problemas para qualquer pessoa, mas precisamos nos unir com gente que ora de verdade e juntos concordarmos declarando a Palavra de Deus sobre nossos problemas. Leia o verso 26. Quando pessoas que não são verdadeiras companheiras de oração perguntarem sobre sua vida, apenas responda: “Está tudo bem”. Mas quando estiver com gente de oração, prostre-se, chore, clame, até que o Senhor te responda (verso 27,28,30)!

“O meu socorro vem do Senhor” (repita)

Precisamos tomar nossas armas espirituais: II Coríntios 10:3,4 (leia)

Para buscar o socorro do Senhor vamos assumir nossas armas espirituais e não mais lutar na vida com as armas carnais. Quais seriam algumas armas espirituais?

– A oração: Efésios 6:18; Filipenses 4:6

– O jejum: Mateus 17:21

– A adoração: Salmo 22:3; Salmo 149

– A santificação: “Sabemos que todo aquele que é nascido de Deus não vive pecando: antes o guarda aquele que nasceu de Deus, e o Maligno não lhe toca” I João 5:18.

 

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