mensagens-para-manter-a-fe-e-a-esperanca-4

Por Gustavo Bessa

Ninguém está isento de passar por lutas e tribulações. Vivemos em um mundo difícil, que se corrompe e se deteriora a cada instante. As nações passam por crises nas mais diferentes esferas. Alguns países sofrem com as guerras e com as bombas que destroem cidades, casas, famílias e sonhos. Outros países vivem a angústia de não saber o que fazer com os imigrantes, com aqueles homens, mulheres e crianças que, fugindo das guerras, buscam desesperadamente pela oportunidade de recomeçarem a vida. É gente que não quer morrer e que se arrisca, movida por algumas faíscas daquela esperança que ainda sobrevive no coração.

Em alguns lugares, as pessoas se desesperam pela condição econômica e política de suas nações. Acostumadas com uma estabilidade econômica e social, elas sofrem diante das instabilidades da política e do mercado. As lojas permanecem abarrotadas com produtos que não atraem consumidores. As fábricas diminuem a sua produção e despedem os trabalhadores. O número de endividados cresce vertiginosamente e as famílias permanecem boquiabertas diante do quadro da desesperança.

O homem que escreveu o Salmo 42 também viveu uma situação de desesperança. Por alguma razão que não sabemos, ele estava vivendo no exílio, longe da família, dos amigos e da sua cidade. O seu maior desejo era o de se apresentar diante de Deus no Templo em Jerusalém (Sl 42.2). A sua vida havia sido virada de cabeça para baixo. Se antes ele conduzia as multidões à casa de Deus, naquele momento ele se encontrava sozinho (Sl 42.4). Se antes ele era admirado e seguido, naquele momento ele estava esquecido e abandonado. Aqueles que antes não tinham a coragem de lhe dirigir a palavra, naquele momento de desesperança lhe lançavam insultos e dúvidas, dizendo: “Onde está o seu Deus?”

Esses momentos de tribulação, lutas e dúvidas são experiências comuns na vida de inúmeras pessoas. No meio dessas batalhas, os adversários tentam se aproveitar da fragilidade dos nossos corações. Eu me lembro das muitas vezes em que o inimigo me lançou sugestões nos ouvidos. O inimigo pareceu colocar-se sorrateiramente ao meu lado e sussurrar: “Onde está o seu Deus? Será que foi Deus mesmo quem lhe falou para tomar aquela decisão? Será que Deus está do seu lado?”

Como é difícil ouvir essas sugestões que lançam dúvidas no nosso coração. No primeiro momento, como não somos feitos de ferro, nos entristecemos e choramos. A nossa tendência é a de nos prostrarmos desanimados, acreditando em todos aqueles sussurros lançados em nossos ouvidos. A nossa outra reação é a de abrirmos a nossa boca e orarmos a Deus, dizendo: “O que está acontecendo? Onde o Senhor está? O Senhor se esqueceu de mim? Tenho buscado viver em fidelidade e pureza, mas o Senhor não vê? Por que o Senhor permite que eu viva essas tribulações enquanto tantos homens maus zombam e riem de mim?”

Quem nunca fez orações assim? Eu já fiz esse tipo de oração muitas vezes. Há poucos dias, eu me prostrei para dizer a Deus, com transparência, todas essas palavras. Com a seriedade e a força do meu coração, argumentei com Deus e apresentei a Ele todas as batalhas que tenho enfrentado nesses últimos tempos. Sei que Ele me ouviu, ainda que, aparentemente, Ele não tenha mudado nada da minha situação externa.

Deus sempre ouve e sempre nos chama à esperança.

Foi assim que o salmista terminou a sua oração. Depois de falar e de se abrir com Deus (como se Deus já não soubesse de tudo!), ele se voltou para a própria alma e falou: “Por que você está assim tão triste, ó minha alma? Por que está assim tão perturbada dentro de mim? Ponha a sua esperança em Deus! Pois ainda o louvarei; ele é o meu Salvador e o meu Deus”. No final dos lamentos de desesperança e das lágrimas de lamento existem os testemunhos de fé e as promessas de esperança.

FacebookTwitterGoogle+