02/03

Um líder segundo o coração de Deus

Postado dia 02 de março de 2016

 2012-09-21 13.42.41

Uma pequena réplica da Arca de Noé (Zoo de Jerusalém)

 

Por Gustavo Bessa

 

 

Nos dois últimos meses de 2014, os livros de Esdras, Neemias, Ester, Ageu e Zacarias tornaram-se a minha leitura diária. Em algumas estações da vida, eu percebo que Deus me direciona a ler livros específicos da Bíblia; e, então, eu me dedico à leitura e à releitura desses livros em todas as minhas devocionais. Eu me assento em minha poltrona, abro a Bíblia e deixo o meu coração imergir no texto sagrado. Às vezes, eu me debruço em oração sobre apenas um único versículo por quase uma hora. Eu deixo que o Espírito Santo me instrua e me molde a partir daquelas palavras.

 

 

Enquanto eu lia e relia o livro de Neemias, eu percebi algumas características de liderança que ainda não havia notado. Sei que muitos livros já foram escritos sobre o estilo de liderança de Neemias. (Eu mesmo já li alguns desses livros e já ouvi algumas mensagens sobre isso.) Mas dessa vez, enquanto eu lia o livro, o que mais me chamou a atenção foram as orações que ele fez. No meio das atividades, enquanto executava as muitas tarefas, dialogava com as pessoas ou orientava o povo, Neemias orava e dialogava com Deus! Ele tinha essas conversas com Deus durante as atividades e tarefas do dia-a-dia!

 

 

Quando ele ouviu que Sambalate e Tobias lançavam zombarias contra ele e o povo de Israel, Neemias orou: “Ouve-nos, ó Deus, pois estamos sendo desprezados. Faze cair sobre eles a zombaria” (Neemias 4.4). Em outra vez, quando os inimigos traziam palavras de intimidação contra Israel, Neemias orou: “Fortalece agora as minhas mãos” (Ne 6.9). Em outra ocasião, Neemias parece dialogar com Deus como quem conversa com um amigo: “Lembra-te do que fizeram Tobias e Sambalate, meu Deus, lembra-te também da profetisa Noadia e do restante dos profetas que estão tentando me intimidar” (Ne 6.14). Depois, quando ele reorganizou a distribuição dos dízimos e ofertas para os sacerdotes e os levitas, Neemias parece estar olhando para o Senhor ao dizer: “Lembra-te de mim por isso, meu Deus, e não te esqueças do que fiz com tanta fidelidade pelo templo de meu Deus e pelo seu culto” (Ne 13.14). Novamente, quando ele estabelece as leis para impedir que as pessoas vendessem mercadorias no dia de sábado, ele se volta para Deus dizendo: “Lembra-te de mim também por isso, ó meu Deus, e tem misericórdia de mim conforme o teu grande amor” (Ne 13.22).  E em outra ocasião, ao agir vigorosamente contra a banalização do ministério sacerdotal, ele conversa com Deus e fala: “Não te esqueças deles, ó meu Deus, pois profanaram o ofício sacerdotal e a aliança do sacerdócio e dos levitas” (Ne 13.29). Por fim, as últimas palavras do livro de Neemias não poderiam ser diferentes dessas: “Em tua bondade, lembra-te de mim, ó meu Deus” (Ne 13.31).

 

 

Essa característica de líder me chamou a atenção! O líder não é apenas aquele que elabora planos e estratégias, inspira os outros ou executa tarefas, mas sobretudo aquele que traz Deus para as suas realidades, projetos, lutas e desafios do dia-a-dia. Enquanto ele conversa com as pessoas, ele ora; enquanto ele toma as decisões, ele conversa com Deus; enquanto ele executa as tarefas, ele mantém o seu diálogo com o Senhor. O líder entende que, acima de todas as coisas, Deus é Aquele para quem ele deve prestar contas de tudo quanto diz e faz. Por essa razão ele conscientemente busca cultivar o relacionamento com Deus em todo o tempo, em todos os lugares e em tudo o que faz.

 

 

Que o Senhor faça de nós pessoas que liderem sob a consciência da presença de Deus conosco.

FacebookTwitterGoogle+
27/02

Avivamento

Postado dia 27 de fevereiro de 2016

 

IMG_0865

 

A professora do Benjamim nos enviou essa foto

 

 

Por Gustavo Bessa

 

O avivamento é uma obra de Deus, e, não do homem. O avivamento é uma poderosa ação vivificadora de Deus no coração do ser humano, e, a partir desse indivíduo, as famílias, as cidades e as nações são igualmente despertadas para a necessidade que têm de um relacionamento verdadeiro com o Criador. Muitos que escreveram sobre o avivamento usaram o termo “Visitação”, ou seja, falaram sobre uma visitação de Deus. O episódio de Lucas 24 sobre o caminho de Emaús pode exemplificar o impacto de uma visitação de Deus na vida das pessoas: os corações são aquecidos (Lucas 24.32) e, imediatamente, as pessoas são renovadas e encorajadas a retornar ao lugar de onde nunca antes deveriam ter saído.

 

 

O amor de Deus por nós é impressionante e constrangedor. Ele, que é o Deus Todo-Poderoso, o Criador dos Céus e da Terra, das coisas visíveis e invisíveis, se importa conosco, e por isso, age para nos despertar do sono apático e nos arrancar das garras sedutoras desse mundo caído.

 

 

Como os valores e as palavras do mundo caído ainda tem voz em nosso coração frágil! Como somos facilmente seduzidos pelas propostas passageiras e transitórias do pecado. Somente Deus pode arrancar-nos da escravidão, chamando-nos para o relacionamento libertador com Ele. Foi exatamente isso que Deus fez com Moisés que, “já adulto, recusou ser chamado filho da filha do faraó, preferindo ser maltratado com o povo de Deus a desfrutar os prazeres do pecado durante algum tempo” (Hebreus 11.24-25). Se Deus não tivesse agido sobre a vida dele, Moisés teria se tornado um faraó, um homem egoísta e escravizador dos próprios irmãos. Bendito seja Deus que se importou com Moisés, com o povo de Israel e também se importa conosco.

 

 

O apóstolo Paulo escreveu que “tudo o que foi escrito no passado foi escrito para nos ensinar, de foram que, por meio da perseverança e do bom ânimo procedentes das Escrituras, mantenhamos a nossa esperança” (Romanos 15.4). O que foi escrito acerca de Moisés e do povo de Israel não foi escrito simplesmente para conhecermos a história, mas, sim, sobretudo para conhecermos Deus. O Deus que aqueceu o coração de Moisés para que o povo de Israel fosse reavivado é o mesmo Deus que pode aquecer os nossos corações para que possamos levar a mensagem que traga avivamento a outras pessoas, famílias, cidades e nações.

 

 

Se, por um lado, o avivamento é uma obra soberana do amor de Deus, o homem é o alvo desse amor. O ser humano não terá o coração aquecido se a sua resposta ao convite de Deus for uma resposta negativa. Os discípulos no caminho de Emaús jamais teriam o coração aquecido se não tivessem respondido Sim à aproximação de Jesus. Se eles não tivessem o coração aberto para ouvir a voz e a palavra de Jesus, eles teriam perdido a oportunidade de serem ministrados pelo Senhor. Se os prazeres transitórios do pecado tivessem uma voz mais alta no coração de Moisés do que a Palavra de Deus, Moisés teria perdido a oportunidade de ser o líder do povo de Israel na saída da escravidão do Egito.

 

 

Porque Deus é quem traz o avivamento e porque nós somos esses “lugares” onde Deus derrama o fogo que aquece o coração, Habacuque orou, dizendo: “Tenho ouvido, ó Senhor, as tuas declarações, e me sinto alarmado; aviva a tua obra, ó Senhor, no decorrer dos anos, e, no decurso dos anos, faze-a conhecida; na tua ira, lembra-te da misericórdia” (Habacuque 3.2 –RA). Que essa oração seja a nossa oração nesses dias, e nos próximos dias até que sejamos visitados pela presença doce, vivificadora e transformadora de Deus.

 

 

FacebookTwitterGoogle+
25/02

Em busca de significado

Postado dia 25 de fevereiro de 2016

2012-09-19 11.33.26

Foto do trânsito corrido e das construções em Israel

 

 

Por Gustavo Bessa

 

Hoje acordei com aquela sensação de vazio. Você já passou por essa situação? A pessoa acorda e, sem mais nem menos, ela olha para o dia sem ter qualquer perspectiva em relação ao que fazer. Não que não existam demandas ou atividades; mas a pessoa simplesmente não consegue focar em coisa nenhuma. É uma sensação ruim e extremamente perniciosa pois, pouco a pouco, a sensação de vazio tenta influenciar os sentimentos, os pensamentos e a vontade. As pessoas que se entregam a esse tipo de sugestão tornam-se catatônicas! Elas perdem as boas emoções da vida, suprimem a habilidade de desenvolverem bons pensamentos e desistem de praticar boas ações. Essas pessoas se entregam à morte para morrerem silenciosamente sem motivo e sem causa.

 

 

Os jornais de ontem noticiaram o aumento do número de suicídios entre mulheres de 15 a 29 anos na cidade de São Paulo. Para o repórter do G1, o médico psiquiatra do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) Teng Chei Tung disse que o suicídio “está muito associado a quadros psiquiátricos, como depressão ou uso de drogas. Nas grandes cidades, a mulher tem mais chance de ter depressão, pois o estilo de vida urbano é sobrecarregado. A pressão é muito grande. A mulher tem de cuidar da casa, dos filhos e trabalhar. Isso tudo piora a condição de saúde mental.”[1]

 

 

Não tenho dúvidas de que uma das razões por detrás desses suicídios é a sensação de vazio. As pessoas sentem o vazio porque não conseguem encontrar o significado para a vida. Elas se entregam à correria do dia-a-dia, executam as tarefas que lhes são exigidas, submetem-se às pressões mais sufocantes, multiplicam os seus esforços para alcançar as metas; mas, no fim, não sabem muito bem porque estão se desgastando tanto. Será que o significado da vida é medido pela quantidade de relacionamentos que temos, pelo número de seguidores que possuímos, pelos elogios que arrancamos da das pessoas? Será que vivemos, trabalhamos e investimos o nosso suor e tempo para conseguir comprar uma casa maior, um carro melhor, uma roupa mais cara, um pacote de viagens mais exótico, um nome mais conhecido pela multidão? Será que o significado da nossa vida é dado pela nossa conta bancária? Pelos likes no Facebook? Pelos diplomas na parede? Pelos nossos trabalhos seculares ou ministeriais?

 

 

As pessoas se perdem no vazio quando medem a própria vida, que é um bem intangível e eterno, com essas réguas e padrões, que são tangíveis e passageiros. A pessoa irá se desesperar toda vez que medir aquilo que é eterno com uma régua passageira. Ela irá de angustiar porque verá que essas réguas nunca são grandes o suficiente! A vida é sempre maior do que quaisquer réguas que a sociedade à nossa volta nos oferece! A régua do trabalho não consegue apresentar o resultado correto para o significado da vida! A régua da conta bancária também não consegue apresentar um resultado satisfatório para o significado da vida! A régua dos estudos é falha! A régua da fama também não é adequada! A régua do trabalho ministerial também não é apropriada! O ser humano não possui réguas e padrões adequados para apresentar o tamanho do significado da vida. As nossas réguas são sempre muito curtas! Sempre falta um grande pedaço, que deixou de ser medido! Por isso, as pessoas, que só consideram os padrões de medição humano, se desesperam tanto e caem no vazio!

 

 

Certa vez, Jesus corrigiu os discípulos porque eles estavam usando réguas e padrões humanos para medirem o sucesso da vida. Eles haviam tido muito sucesso em uma viagem ministerial e, por isso, cheios de alegria, eles disseram: “Senhor, até os demônios se submetem a nós, em teu nome” (Lucas 10.17 – NVI). A alegria deles estava baseada no sucesso que haviam tido no trabalho realizado! Não é errado ter alegria por causa de um trabalho bem-sucedido. Devemos nos alegrar com as nossas vitórias sempre. Contudo, não podemos imaginar que o sentido da nossa vida está no nosso trabalho ou no sucesso. Não podemos medir o significado da nossa vida ou buscar a nossa identidade naquilo que fazemos! Por essa razão, Jesus docemente corrigiu a perspectiva dos discípulos, e disse: “Alegrem-se, não porque os espíritos se submetem a vocês, mas porque seus nomes estão escritos nos céus” (Lucas 10.20). Jesus nos ensinou que ao invés de buscar a nossa identidade e significado da vida naquilo que é passageiro, devemos firmar a nossa identidade e basear o nosso significado naquilo que é eterno, a saber, Deus! “Alegrem-se porque seus nomes estão escritos nos céus”.

 

 

Eu fiz esse exercício essa manhã. Ao perceber a sensação de vazio aproximar-se de mim, voltei os meus olhos para o Senhor. Fui lembrado de que o meu significado não é dado pelo meu trabalho, meu conhecimento, meus estudos, minha conta bancária, meus sucessos ministeriais, minhas pregações, meus escritos, meus seguidores no Instagram, meus convites para pregar em algum lugar ou minha popularidade diante das pessoas. Todas essas coisas podem deixar de existir algum dia. Elas são passageiras e temporárias. Um dia, elas existem; mas no dia seguinte, elas podem deixar de existir. O Espírito Santo me relembrou que o meu significado é dado tão somente por aquilo que Jesus fez por mim, tornando-me Filho de Deus e, desde a eternidade, escrevendo o meu nome nos céus.

 

 

Aquilo que Deus fez por mim nessa manhã, quero transmitir a você. Olhe para você e entenda que quem dá o significado para a sua vida não é você mesmo ou aquilo que você faz (esqueça essas réguas e padrões de medição humanos), mas Deus e aquilo que Ele já fez por você! “Alegre-se porque o seu nome está escrito nos céus”.

[1] http://glo.bo/1MvvYh1

FacebookTwitterGoogle+
23/02

Nunca é tarde demais!

Postado dia 23 de fevereiro de 2016

2012-09-19 14.31.45

Momento pai e filhos na Caravana Israel DT/2012

 

 

Por Gustavo Bessa.

 

 

Estou lendo um livro sobre a influência do pai na vida dos filhos. Comecei a lê-lo hoje enquanto espero a Ana terminar o almoço. Depois de ler as primeiras páginas, os meus olhos não conseguiram avançar para além dessa seguinte frase: “Deus é especialista em recompensar os que chegam depois”. Deus não recompensa apenas as pessoas que têm a consciência do trabalho e das responsabilidades desde o início do dia, mas Ele também recompensa aquelas pessoas que somente têm a consciência do trabalho e das responsabilidades no final do dia. Na verdade, Deus decidiu recompensar igualmente todas as pessoas que dizem “Sim” para o convite dEle, independentemente do momento em que essas pessoas dizem “Sim”, quer seja no início da vida, no meio do dia, ou no final da jornada.

 

 

O autor fez essa afirmação com base em uma parábola que Jesus contou (Mateus 20.1-16). Jesus disse que certo homem contratou algumas pessoas para trabalharem na sua vinha. Algumas pessoas foram contratadas no início do dia, e outras, no final do dia. As pessoas que foram contratadas no início do dia trabalharam muitas horas; e as pessoas que foram contratadas no final do dia trabalharam apenas por uma hora. Contudo, no momento em que o patrão pagou o salário aos trabalhadores, ele decidiu pagar o mesmo tanto para todos! E quando algumas pessoas alegaram “injustiça”, o patrão simplesmente respondeu: “Amigo, não estou sendo injusto com você. Você não concordou em trabalhar por um denário? Receba o que é seu e vá. Eu quero dar ao que foi contratado por último o mesmo que lhe dei. Não tenho o direito de fazer o que quero com o meu dinheiro? Ou você está com inveja porque sou generoso?” (Mateus 20.13-15 – NVI). Em outras palavras, o patrão disse para aqueles que chegaram depois: “Nunca é tarde demais!”

 

 

Às vezes nós nos culpamos por termos demorado a aprender algumas verdades. Há poucos dias, conversei com a Ana sobre algumas falhas que cometemos no primeiro ano de vida do Isaque. Estávamos tão envolvidos nas viagens missionárias e ministeriais que, por muitas vezes, deixamos o Isaque na casa dos avós. Os nossos pais são pessoas maravilhosas! Mas os nossos filhos precisam sobretudo da presença dos pais. Lembro-me do dia em que eu cheguei de uma viagem missionária e o Isaque, com apenas 1 ano e 6 meses, batia na porta do banheiro e me chamava insistentemente: “Papai! Papai! Papai!”. O seu tom de voz parecia me dizer: “Papai, você vai viajar de novo?” ou, “você vai desaparecer de novo?” (Só de me lembrar dessa cena, o meu coração dói.) A partir daquele dia, eu e a Ana combinamos de nunca mais viajarmos ao mesmo tempo e deixarmos os nossos filhos na casa dos avós sem a companhia de um dos pais. Contudo, já havíamos cometido aquele erro…

 

 

Erramos por ignorância, mas podemos experimentar a redenção nas nossas vidas a partir da Palavra misericordiosa e graciosa do nosso Pai do Céu. Ele é especialista em recompensar aqueles que chegam depois. Ele é gracioso para recompensar inclusive aqueles que demoram a aprender. Aos olhos de Deus, nunca é tarde demais! Podemos ter a certeza de que Deus é poderoso para transformar e redimir até mesmo as lembranças e as marcas mais profundas no nosso coração e no coração dos nossos filhos.

 

 

Essa verdade maravilhosa do caráter e da Palavra de Deus se aplica a todas as áreas da nossa vida. Se demoramos a aprender alguns princípios para o casamento, nunca é tarde demais para acertarmos e recebermos a plena recompensa de Deus. Se demoramos a ouvir algumas palavras de orientação para acertar os nossos negócios, nunca é tarde demais para resolvermos as pendências e recebermos a plena recompensa de Deus. Deus é gracioso e ama nos recompensar. Nunca é tarde demais!

 

 

 

FacebookTwitterGoogle+
22/02

O que você mais valoriza nessa vida?

Postado dia 22 de fevereiro de 2016

391px-PaulusTarsus_LKANRW

Reconstituição facial de Paulo feita por pesquisadores alemães

 

 

Por Gustavo Bessa

 

 

O apóstolo Paulo tinha um testemunho de vida impressionante. Certa vez, enquanto ele se lembrava de como era a sua vida – um homem conhecido, reverenciado e admirado, ele escreveu: “Mas o que para mim era lucro, passei a considerar como perda por causa de Cristo” (Filipenses 3.7 – NVI). De repente, em um breve momento, em uma experiência de viagem, a perspectiva de Paulo em relação à vida era mudada.

 

 

O encontro que Paulo teve com Jesus transformou-o completamente. Ele foi mudado na maneira de pensar, de sentir, de ver o mundo, de viver no dia-a-dia e de se relacionar com as pessoas. Se, do lado de fora, ele parecia ser a mesma pessoa (muitos ainda tinham medo daquele homem de altura mediana e nariz proeminente); do lado de dentro, Paulo era um outro homem.

 

 

Se antes, ele gostava de ostentar os seus títulos – “circuncidado ao oitavo dia de vida, pertencente ao povo de Israel, à tribo de Benjamim, verdadeiro hebreu; quanto à lei, fariseu” (Fp 3.5), no momento em que ele escrevia a carta aos Filipenses, ele diz que os títulos que ele possuía não lhe valiam mais nada, antes, haviam perdido toda a importância e valor; pior, Paulo os considerava como esterco! O maior sonho de Paulo não era o de ganhar mais títulos, mais aplausos, mais admiradores, mas, sim, “ganhar Cristo” (Fp 3.8).

 

 

O encontro com Jesus não muda, necessariamente, a aparência externa das pessoas, mas muda obrigatoriamente o coração. Aquilo que antes era importante perde o valor; aquilo que antes era admirado passa a ser desprezado; aquilo que antes era atrativo torna-se repugnante; aquilo que antes era desejado não tem mais brilho. O único desejo da pessoa é ganhar Cristo! Ou como o apóstolo Paulo escreveu: “Quero conhecer Cristo, o poder da sua ressurreição e a participação em seus sofrimentos, tornando-me como ele em sua morte para, de alguma forma, alcançar a ressurreição dentre os mortos” (Fp 3.10).

 

 

A experiência com Jesus transformou até mesmo o modo de falar de Paulo. Se antes, nas suas palavras, ele ostentava quem ele era, depois de Cristo, as suas palavras apontavam para quem Cristo era. Cristo tornou-se o assunto de Paulo nas conversas, nas viagens e nas cartas, quer ele estivesse gozando de liberdade, quer ele estivesse atrás das portas de uma prisão.

 

 

Na sua última carta, por exemplo, Paulo revelou as profundas marcas que Jesus havia lhe deixado no coração. Ele não estava gozando férias em uma maravilhosa praia do Mediterrâneo, mas estava preso em uma fétida prisão de Roma. Ao invés de se lamentar ou de conversar sobre outros assuntos, ele escreveu mais uma vez sobre aquilo que lhe era mais caro: “Na minha primeira defesa, ninguém apareceu para me apoiar; todos me abandonaram. Que isso não lhes seja cobrado. Mas o Senhor permaneceu ao meu lado e me deu forças, para que por mim a mensagem fosse plenamente proclamada e todos os gentios a ouvissem. E eu fui libertado da boca do leão. O Senhor me livrará de toda obra maligna e me levará a salvo para o seu Reino Celestial. A ele seja a glória para todo o sempre. Amém. ” (2Timóteo 4.16-18 – NVI).

 

Paulo transpirava Jesus! Quer estivesse livre, quer estivesse preso, ele se lembrava de Jesus, falava sobre o Senhor e adorava a Deus. Ele “colocava para fora aquilo que ele já tinha colocado para dentro.” Ele falava daquilo que lhe enchia o coração. E você? O que tem enchido o seu coração?  O que você “tem colocado para fora” em suas conversas formais e informais? Em que poço você tem ido buscar a sua água? O que você mais valoriza na sua vida? (Nós somos parecidos com aquilo que mais admiramos).

 

FacebookTwitterGoogle+
19/02

Você já pensou em desistir?

Postado dia 19 de fevereiro de 2016

2015-05-01 12.38.45 HDR

Por Gustavo Bessa.

 

Enquanto lia a epístola aos Hebreus, deparei-me com esse versículo: “Portanto, esforcemo-nos para entrar nesse descanso, para que ninguém venha a cair, seguindo aquele modelo de desobediência” (Hebreus 4.11 – NVI). Essas palavras nos revelam um paradoxo da caminhada cristã, a saber, só existe descanso para quem se esforça! Em outras palavras, não existe descanso para quem descansa, ou para “quem entrega os pontos”.

 

 

O autor aos Hebreus escreve aos cristãos que estavam quase desistindo da caminhada da fé por causa das lutas e dificuldades encontradas na jornada. Ainda que no início da caminhada eles tivessem demonstrado fé e alegria, naquele momento da vida, eles estavam cansados e dispostos a “jogar tudo para o alto”. As pressões estavam muito fortes e as opressões eram intensas! O caminho mais fácil e cômodo era o da desistência!

 

 

Todos nós já passamos por esse tipo de situação. Eu perdi a conta de quantas vezes eu já fiquei desanimado e tive vontade de desistir. Há um ano, no dia 03 de dezembro de 2014, por exemplo, eu escrevi no meu caderno devocional: “É difícil acordar toda manhã… Tenho vontade de ficar deitado. Ainda que eu tenha muitos compromissos na agenda, eu não tenho ânimo no meu coração”. No calor das batalhas, não é difícil o nosso coração derreter…

 

 

Por essa razão precisamos, em primeiro lugar, nos cercar de pessoas de Deus. Nos momentos difíceis, elas estarão do nosso lado, não para nos acusar, mas, sim, para nos encorajar a perseverar na obediência. Elas serão boca de Deus para as nossas vidas e servos do Altíssimo para a nossa alma. Ainda que pareça difícil encontrar tais pessoas, elas existem e estão próximas de nós. Nos momentos escuros daqueles cristãos, Deus moveu o coração de uma pessoa para escrever uma epístola de encorajamento aos Hebreus!

 

 

Em segundo lugar, nós precisamos reagir! Somos nós que precisamos nos esforçar para entrar no descanso! Deus nos arrancou do “Egito” com mão poderosa; e com mão graciosa, Ele mesmo tem nos conduzido pelos oásis e desertos desta vida. Mas somente atravessaremos o rio e chegaremos seguros na Terra da Promessa e no nosso descanso se nos esforçarmos e não desistirmos no meio do caminho.

 

 

O caminho que nós trilhamos não é um caminho desconhecido. Milhares e milhões de pessoas já passaram por ele. É por isso que o autor aos Hebreus pode encorajar os cristãos, dizendo: “Portanto, também nós, uma vez que estamos rodeados por tão grande nuvem de testemunhas, livremo-nos de tudo o que nos atrapalha e do pecado que nos envolve, e corramos com perseverança a corrida que nos é proposta, tendo os olhos fitos em Jesus, autor e consumador da nossa fé” (Hebreus 12.1-2 – NVI).

 

 

FacebookTwitterGoogle+
15/02

Às vezes você acha que sabe tudo?

Postado dia 15 de fevereiro de 2016

2011-10-07 20.01.52

 

Por Gustavo Bessa

 

Eu sempre tive dificuldades para começar a escrever. As ideias simplesmente teimam em não aparecer. Parece que elas fogem de mim como quem está brincando de pega-pega. Quanto mais eu tento alcança-las, mais rapidamente elas se escondem. A minha vontade é desistir, fechar o computador e me ocupar com outras atividades. Mas eu sei que não posso desistir. Eu preciso mostrar para mim mesmo e para as ideias que o caminho mais fácil nem sempre é o melhor caminho. O melhor caminho é sempre o caminho da obediência perseverante. Quanto mais fortemente somos tentados a desistir no meio do caminho, mais intensamente precisamos buscar forças em Deus para perseverar. No fim, Deus nos leva ao lugar de onde nunca poderíamos ter saído: o lugar da dependência dEle.

 

Alguns podem chamar isso de fatalismo: o homem é simplesmente um robô incapaz de fazer escolhas livres. Eu não chamo isso de fatalismo apesar de ainda não conhecer um nome para conceituar essa ideia. Sei que, ao mesmo tempo em que Deus é totalmente poderoso e soberano, o ser humano é totalmente livre e responsável. Deus permanece assentado no trono, governando sobre tudo e sobre todos; e o homem permanece fazendo as suas escolhas com liberdade e responsabilidade. Se me perguntarem como acontece essa interação entre a soberania de Deus e a liberdade do homem, tranquila e confiantemente responderei que não sei. Eu não consigo entender muitas coisas. Essas coisas que não entendo, eu as chamo de mistério.

 

Antes, eu tinha muita dificuldade com o mistério. Eu achava que todo mistério existia para ser desvendado e explicado. Eu achava que a minha razão era capaz de resolver todos os problemas. Hoje eu não penso mais assim. Os meus óculos teológicos foram sendo ajustados à medida que eu vivia novas experiências, lia a Bíblia, conversava com outras pessoas, lia livros e participava da celebração e comunhão da igreja. Durante essa jornada, fui levado a reconhecer e reconheci os meus limites. Existem coisas que estão à nossa volta para serem descobertas; mas existem outras que estão à nossa volta para nos lembrarem dos nossos limites.

 

Os mistérios existem. Deus os criou para serem os nossos pedagogos. Os mistérios nos confrontam todos os dias e nos fazem saber que jamais teremos todo o conhecimento. Somos limitados. Somente Deus é ilimitado, infinito e todo-poderoso. Somente Deus sabe todas as coisas e conhece todos os mistérios. Eu e você não. Somos frágeis e limitados. Nós somos pó! E por mais que queiramos conhecer todas as coisas, em muitas ocasiões, as ideias e as revelações simplesmente se escondem de nós.

 

O apóstolo Paulo nos ensinou a atitude correta diante do mistério de Deus. Quando ele se defrontou com beleza e complexidade do plano de Deus para a salvação do ser humano, ele exclamou em adoração a Deus: “Ó profundidade da riqueza da sabedoria e do conhecimento de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos e inescrutáveis os seus caminhos! Quem conheceu a mente do Senhor? Ou quem foi o seu conselheiro? Quem primeiro lhe deu, para que ele o recompense? Pois dele, por ele e para ele são todas as coisas. A ele seja a glória para sempre! Amém” (Romanos 11.33-36 – NVI).

 

A “linha de chegada” da nossa corrida cristã sempre passa por esse lugar do mistério, do reconhecimento dos nossos limites, da dependência de Deus e da obediência perseverante. Mesmo que não tenhamos todo o conhecimento, sabemos que Deus não somente tem todo o conhecimento, mas também nos ama e se revela a nós. Quando ouvimos a voz de Deus, chamando-nos para dar um passo em direção ao nosso futuro, mesmo que não conheçamos todo o percurso da jornada, podemos seguir em frente. Caminhamos por lugares desconhecidos por nós, mas totalmente conhecidos por Deus. Caminhamos por causa da nossa obediência perseverante. Assim, enquanto dependemos de Deus e seguimos adiante, não somente a nossa vida passa por mudanças, mas também os nossos óculos teológicos são ajustados. Passamos a ver o mundo à nossa volta com novos olhos e com um novo coração. Descobrimos que, mesmo que tenhamos dificuldades para começar um texto ou para continuar escrevendo, não podemos desistir jamais. Deus, para quem não existem mistérios, está conosco!

FacebookTwitterGoogle+
25/01

Feliz Ano Novo

Postado dia 25 de janeiro de 2016

Brasil

 

 

Gustavo Bessa

 

Eu sei que parece muito tarde para desejar um Feliz Ano Novo, mas eu não escrevo nada desde o Natal do último ano. Tirei um tempo para orar em relação ao ano de 2016. Deus colocou uma palavra em meu coração: RECONSTRUÇÃO. Sei que Deus ainda está desconstruindo muitas coisas. Ele começou a sacudir os nossos alicerces em 2014, continuou essa obra de desconstrução em 2015, e ainda está abalando muitos alicerces em 2016. Contudo, eu creio que Deus iniciará uma obra de reconstrução nesse novo ano.

 

Em 2014, o Brasil sediou a Copa do Mundo e foi eliminado depois de perder de 7×1 para a Alemanha. O futebol, “paixão dos brasileiros”, tornou-se a decepção dos brasileiros. Meses depois, as eleições sacudiram o país de norte a sul. Foram debates, embates, militância e, sobretudo, desconstrução. Não somente os candidatos foram desconstruídos, mas o país foi abalado. No fim, o Brasil revelou-se dividido. Foram as eleições mais disputadas e doídas dessas últimas décadas.

 

Em 2015, a economia brasileira derreteu juntamente com a política. À medida que a operação Lava Jato jogava água para limpar as sujeiras na Petrobrás, as faces de muitos políticos foram expostas. E a luz não mostrou, senão a feiura de muitos rostos. Por detrás de inúmeros discursos e performances havia a compra e a venda do país para a ganância de alguns políticos e bilionários. Os alicerces da política eram sacudidos e os fundamentos da economia, abalados. Ao verem a feiura da política brasileira, as nações questionaram a nossa economia e retiraram os investimentos da nação. O dinheiro internacional, que durante anos movimentou as engrenagens da economia, “bateu as asas e voou” para bem longe: Índia, Vietnã, e também Chile e Peru.

 

Estamos iniciando o ano de 2016. Ainda que alguns prognósticos sugiram que a situação irá piorar, eu vejo esperança. Existe a possibilidade do país ser reconstruído em cima de novas bases. No meio das crises, depois de não encontrarem respostas em lugar algum, as pessoas se voltam para Deus. E o mais maravilhoso disso tudo é que Deus não se esconde, mas se deixa encontrar. E a promessa dEle é: “Se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar, e orar, e me buscar, e se converter dos seus maus caminhos; então eu ouvirei dos céus, perdoarei os seus pecados, e sararei a sua terra”. Vem, Senhor, e reconstrua a nossa vida e também a nossa nação.

 

FacebookTwitterGoogle+
20/12

O que fazer com os pagãos?

Postado dia 20 de dezembro de 2015

52-rc-frame-ateu-pagao

Gustavo Bessa.

Os irmãos estavam com sentimentos variados durante aquela reunião. Podia-se perceber um misto de alegria e de apreensão no ar enquanto Paulo e Barnabé contavam os maravilhosos feitos que Deus havia feito no meio dos gentios pagãos! “Centenas haviam abandonado a adoração aos ídolos e se convertido ao Senhorio de Jesus. Esses novos convertidos estavam cheios do fogo do Espírito Santo e proclamavam o evangelho de Deus com tremenda ousadia”, compartilhavam os apóstolos Paulo e Barnabé.

Contudo, nem todas as pessoas ouviam os testemunhos com o mesmo entusiasmo. O partido dos fariseus messiânicos estava cheio de apreensão com o que poderia acontecer com a igreja a partir da conversão desses gentios pagãos. Eles entendiam que, para manter a igreja pura e protegida, os novos convertidos deveriam se circuncidar e guardar toda a lei de Moisés com as suas prescrições relacionadas aos alimentos, às festas, aos dias sagrados e tudo o mais. Pela primeira vez, a igreja enfrentava um problema que requeria uma reflexão teológica: “O que fazer com os pagãos?”

Até então a igreja tinha sido primariamente formada por judeus que reconheciam que Jesus era o Messias. Esses primeiros cristãos guardavam praticamente intactos os elementos da sua própria cultura judaica – a língua, as festas, os sábados e as tradições, relendo, todavia, as profecias e as promessas com as novas lentes do evangelho de Jesus Cristo. Por ser um judeu-cristão, por exemplo, Paulo celebrava as festas judaicas. Na ocasião em que foi preso, ele estava em Jerusalém, participando em uma das festas judaicas.

Entretanto, esse mesmo Paulo, que guardava as tradições judaicas, se indignou com a sugestão do partido dos fariseus! Ele entendia que os judeus quando se convertem a Jesus devem manter a cultura judaica; mas os gentios pagãos quando se convertem a Jesus não devem absorver a cultura judaica! O evangelho de Jesus não está aprisionado aos elementos culturais do Judaísmo como defendiam os fariseus cristãos! “Foi para a liberdade que Cristo nos libertou” (Gl 5.1), Paulo escreveu aos cristãos da Galácia anos depois desse Concílio em Jerusalém.

Paulo pôde escrever essas palavras aos cristãos da Galácia porque os líderes da igreja primitiva fizeram teologia e história quando se depararam com o problema dos pagãos (At 15). Eles entenderam que o evangelho de Jesus não está aprisionado a nenhuma cultura em particular. Mesmo tendo nascido dentro da cultura judaica, o evangelho não é escravo dos elementos culturais do lugar onde nasceu. O evangelho é poderosamente supracultural! Os judeus podem reler e redimir os diversos elementos da sua cultura na sua adoração a Jesus; e da mesma maneira os gentios podem reler e redimir os inúmeros elementos das suas culturas quando adoram a Jesus.

Quando as pessoas não entendem a supraculturalidade do evangelho, elas valorizam intensamente a cultura do lugar de onde receberam as boas novas. Por isso, elas colocam ternos de lã nos sertanejos, tocam músicas com piano clássico nos cultos dos baianos e excluem a movimentação do corpo nos cultos africanos. Elas exaltam e santificam uma cultura em particular, mas desprezam e demonizam a cultura das outras pessoas.

Mas, graças a Deus pelos primeiros líderes da igreja, os judeus Pedro, Tiago, Paulo, Barnabé e outros! Se o partido dos fariseus cristãos tivesse vencido aquele debate em relação aos gentios cristãos não existiria a beleza da diversidade cultural na igreja global. Todos falaríamos o mesmo idioma, vestiríamos as mesmas roupas, teríamos a mesma liturgia nos cultos, usaríamos os mesmos instrumentos musicais e precisaríamos gostar das mesmas comidas.

Obs.: No próximo post tratarei dos limites da liberdade.

FacebookTwitterGoogle+
18/12

Natal é Paganismo?

Postado dia 18 de dezembro de 2015

Hamurabi

Por Gustavo Bessa

Nesses últimos dias, eu tenho lido alguns comentários que têm sido feitos sobre a comemoração do Natal. A maioria das pessoas condena a comemoração do Natal, dizendo que Jesus não nasceu no dia 25 de dezembro e que o Natal é uma festa de origem pagã. De fato, Jesus não nasceu no dia 25 de dezembro, pois, uma vez que os pastores estavam guardando as ovelhas no campo aberto, só podemos concluir que Jesus não nasceu no inverno!

 

Sabe-se também que os pagãos comemoravam o nascimento do deus sol no dia 25 de dezembro, e que os cristãos fizeram uma releitura dessa data para ensinar aos pagãos que Jesus, o Filho de Deus, o Sol da Justiça, desceu dos céus e sobrenaturalmente nasceu de uma virgem. Os cristãos, portanto, esvaziaram o significado do deus-sol e atualizaram o significado do dia 25 de dezembro, usando essa data como uma ponte para anunciar o evangelho.

 

Entretanto, muitas pessoas questionam essa atitude dos cristãos! Dizem que, porque o dia 25 de dezembro era, anteriormente, uma data em que se comemorava uma festa pagã, não podemos celebrar o nascimento de Jesus nessa data. Eu estranho esse tipo de comentário, pois ele me parece ser muito mais islâmico do que cristão. O islamismo é que impede os muçulmanos de fazerem qualquer tipo de contextualização da mensagem. Tanto assim que o islamismo só considera como palavra de Deus o Alcorão escrito em Árabe. Para eles, Deus não fala outra língua, senão o Árabe.

 

Mas nós cristãos cremos de maneira diferente. Cremos que Deus não está limitado ao Hebraico. Deus se comunica em Hebraico, Aramaico, Grego, Latim, Português, Inglês, Chinês e tantas quantas forem as línguas do mundo. Cremos que podemos contextualizar a mensagem para que as outras pessoas entendam o que comunicamos. Cremos que muitos elementos de culturas pagãs podem ser esvaziados de seus antigos conceitos e podem ser atualizados, recebendo conceitos cristãos.

 

Dessa maneira o povo de Israel construiu o Tabernáculo no deserto! Eles usaram o ouro, a prata, o bronze, as pedras e os tecidos que os pagãos egípcios lhes haviam dado. Eles pegaram esse material, que antes era pagão, e usaram esse material para construir a Tenda do Encontro! Eles esvaziaram esse material do conteúdo anterior e atualizaram esses objetos com novos conceitos!

 

Dessa maneira, usando a contextualização, ao entrar na terra, o povo de Israel fez uma releitura das festas pagãs. Os pagãos celebravam a festa da colheita, a festa dos primeiros frutos e daí por diante! O povo de Israel não ignorou e desprezou essas datas. Antes, os israelitas esvaziaram essas festas dos seus conteúdos pagãos e atualizaram, por causa de Deus, o conteúdo dessas festas, introduzindo a mensagem salvífica do Senhor nesses momentos! Muitas festas do povo de Israel são, na verdade, releituras de festas pagãs.

 

Mas alguém pode dizer: “Isso aconteceu no Antigo Testamento! Mas o que o Novo Testamento tem a dizer sobre isso?” Em que língua o Novo Testamento foi escrito? Hebraico? Aramaico? Não! Grego! Uma vez que Deus quer que todas as pessoas ouçam o evangelho, Ele decidiu contextualizar a mensagem e proclamar o evangelho não na língua que Jesus falava, mas na língua que a maior parte da população falava! Assim, Paulo fez uma releitura de diversos termos gregos. Ele utilizou palavras gregas que eram usadas nos cultos pagãos, esvaziou esses termos dos seus antigos conceitos, introduziu conceitos cristãos àquelas palavras e, com essas palavras atualizadas, ele pregou o evangelho! Ele não desprezou ou ignorou essas palavras, mas usou-as como pontes para anunciar o evangelho!

 

Contudo, o maior exemplo de contextualização é Jesus. Ao invés de permanecer falando-nos do céu ou do alto de uma montanha fumegante, Deus assumiu todos os limites e fragilidades de um corpo humano (menos o pecado) com o propósito de nos anunciar o evangelho da graça e da verdade. O Verbo se fez Carne e habitou entre nós! Deus não destruiu pontes, mas usou-as para que nós conseguíssemos ouvir e entender a mensagem do evangelho. Assim, Jesus nasceu em uma manjedoura, passou alguns anos no Egito, cresceu como carpinteiro em Nazaré, viajou pelas estradas romanas, visitou cidades pagãs (Decápolis), comeu com publicanos e pecadores, conversou com as pessoas, usou o dinheiro de Roma para pagar os impostos e nos fez conhecer o evangelho de Deus. Deus trouxe dignidade ao ser humano e usou os diversos elementos da cultura (língua, objetos, artefatos etc) para nos fazer conhecer a mensagem da salvação.

 

Vendo o modo como Deus sempre agiu no mundo em relação aos povos e as culturas, eu não entendo como tantas pessoas questionam a comemoração do nascimento de Jesus no dia 25 de dezembro! Ou elas ignoram o modo como Deus agiu no mundo, em relação ao uso das culturas, para proclamar o evangelho. Ou elas não aceitam que se use a cultura como ponte para anunciar a mensagem de Deus; e, assim, elas mesmas, por causa disso, só conversam em Hebraico.

FacebookTwitterGoogle+
Posts recentes Posts anteriores