novembro 2015

23/11

QUANDO O CHAMADO DE DEUS ACONTECE?

Postado dia 23 de novembro de 2015

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Por Ana Paula Valadão Bessa

Entreguei essa Palavra na Universidade Oral Roberts em Tulsa, Oklahoma, no dia 11/11/15. Como outros pregadores sabem, e creio que vão concordar, ela veio primeiro para mim mesma, ao meu próprio coração que precisava de encorajamento. Às vezes as pessoas podem nos ver no púlpito com um microfone na mão e imaginar que somos feitos de algum outro material que nos torne imunes às batalhas da vida e aos sentimentos naturais do ser humano que chora. Nesse mesmo dia em que viajei de Dallas (onde moro) para Tulsa, horas antes de embarcar no avião, recebi uma notícia que me abalou profundamente. Eu me lembro de ficar sentada por alguns minutos do lado de fora onde podia respirar um ar fresco e então ligar para o Gustavo (meu esposo) para compartilhar e pedir socorro. Logo ele chegou, orou comigo, chorei bastante, mas ainda assim precisei viajar “sozinha” – eu e Deus – e foi na angústia e na solitude (jamais solidão) daquele quarto de hotel em Tulsa que meditei e recebi essa Palavra.

Josué 1.1-9

1 Depois da morte de Moisés, servo do Senhor, disse o Senhor a Josué, filho de Num, auxiliar de Moisés:

2 “Meu servo Moisés está morto. Agora, pois, você e todo este povo, preparem-se para atravessar o rio Jordão e entrar na terra que eu estou para dar aos israelitas.

3 Como prometi a Moisés, todo lugar onde puserem os pés eu darei a vocês.

4 Seu território se estenderá do deserto ao Líbano, e do grande rio, o Eufrates, toda a terra dos hititas, até o mar Grande, no oeste.

5 Ninguém conseguirá resistir a você, todos os dias da sua vida. Assim como estive com Moisés, estarei com você; nunca o deixarei, nunca o abandonarei.

6 “Seja forte e corajoso, porque você conduzirá esse povo para herdar a terra que prometi sob juramento aos seus antepassados.

7 Somente seja forte e muito corajoso! Tenha o cuidado de obedecer a toda a lei que o meu servo Moisés lhe ordenou; não se desvie dela, nem para a direita nem para a esquerda, para que você seja bem sucedido por onde quer que andar.

8 Não deixe de falar as palavras deste Livro da Lei e de meditar nelas de dia e de noite, para que você cumpra fielmente tudo o que nele está escrito. Só então os seus caminhos prosperarão e você será bem sucedido.

9 Não fui eu que lhe ordenei? Seja forte e corajoso! Não se apavore, nem se desanime, pois o Senhor, o seu Deus, estará com você por onde você andar”.

 

DEUS NÃO NOS CHAMA QUANDO SENTIMOS QUE ESTAMOS PRONTOS

Você já reparou no primeiro versículo do livro de Josué? Esse livro começa com palavras terríveis: “Depois da morte de Moisés, servo do Senhor, disse o Senhor a Josué, filho de Num, auxiliar de Moisés…”

Não lemos anteriormente que Deus tenha falado com Josué. Lemos que Deus falava face a face com Moisés, mas não lemos que falasse com Josué. Agora o Senhor falou diretamente com Josué. Uau! Que momento importante! Porém não parece ter sido em um bom momento para Josué. Afinal, ele não devia estar bem. Imagine como Josué estava logo após a morte de Moisés. Devia estar devastado emocionalmente. Moisés era o grande líder do povo de Israel, ungido, com quem Deus falava face a face! Moisés recebia direção clara de Deus para o povo e movia-se em poder sobrenatural.

Josué viu com seus próprios olhos como Moisés liderou o povo na saída do Egito com sinais e prodígios. Ele caminhou os 40 anos no deserto e experimentou os milagres diários e a visitação de Deus quando Moisés entrava na Tenda do Encontro. Agora Moisés tinha partido.

Eu também acredito que Josué estava triste porque Moisés era seu amigo. Ele era o assistente de Moisés e por isso penso que se importava com ele pessoalmente. Eles deviam passar bastante tempo juntos. Eles comiam juntos, conversavam bastante e eram amigos que literalmente atravessaram o deserto juntos! Essa amizade de mais de quarenta anos foi interrompida pela morte do seu amigo. Foi nesse momento que Deus falou e chamou Josué para liderar Seu povo.

Isso também me faz lembrar o chamado de Isaías. No capítulo 6.1,8 nós lemos:

“No ano em que o rei Uzias morreu, eu vi o Senhor assentado num trono alto e exaltado, e a aba de sua veste enchia o templo… Então ouvi a voz do Senhor, conclamando: “Quem enviarei? Quem irá por nós?” E eu respondi: Eis-me aqui. Envia-me!”

Percebe a semelhança? Isaías também estava profundamente triste pela morte do rei Uzias. Talvez você não saiba, mas Isaías era conselheiro do rei, e há tempos, desde Salomão, não tinha existido um rei como Uzias. O que iria acontecer com Judá agora? É bem provável que surgiram dúvidas e ansiedades no coração de Isaías. E foi bem no meio à sua fragilidade que Isaías viu o Senhor e recebeu seu chamado. Além desse estado emocional abalado, Isaías foi levado a perceber sua iniquidade e a do povo no meio do qual vivia. O completo senso de inadequação o invadiu antes de ouvir o chamado divino.

Eu me recordo de vários momentos em que eu não me sentia preparada para cumprir o chamado de Deus em minha vida. Foram exatamente nessas horas em que experimentei grandes marcos da minha vida com Deus, em que Ele me chamou e me impulsionou e me encorajou como fez com Josué e com Isaías.

Quando eu era recém casada viajei com meu esposo para ministrar em Vila Velha, no Espírito Santo. Tivemos uma manhã livre e fomos passear com alguns amigos. Estávamos no mar em Vitória, em jet skis, quando sofremos um acidente em alto mar. Outro jet ski bateu no nosso e a perna do meu esposo foi quebrada em cinco lugares. A fratura era exposta e naquele momento tudo que eu podia fazer era orar no espírito clamando a Deus por socorro. Seu amor estava bem ali conosco, no meio do mar, e um bote salva vidas do Corpo de Bombeiros estava passando. Eles nos levaram até uma praia próxima onde havia uma clínica médica e em pouco tempo Gustavo foi operado pelo cirurgião de plantão, que era o melhor ortopedista do Estado. Uma médica amiga tinha vindo de BH passear aquele fim de semana e pode acompanhar a cirurgia e interceder dentro do bloco cirúrgico. O melhor material foi usado e uma haste de titânio foi colocada na perna do Gustavo ao invés daquela coroa externa de ferro com parafusos que também é mais comum. Em tudo o Senhor nos abençoou, mas ao final de muitas horas de espera eu estava e fragilizada e exausta.

Naquela noite eu tinha o compromisso de ministrar para dezenas de milhares de pessoas na Praia da Costa, no evento chamado Jesus Vida Verão. Eu me lembro como o Gustavo se despediu de mim no quarto da clínica, e choramos e oramos e declaramos que o Senhor Jesus era digno do nosso sacrifício vivo naquela noite. Eu estava indo e ele me enviava para adorar ao nosso Deus e levar Seu amor como uma renúncia da nossa própria vontade, que era de ficarmos quietinhos juntos. Ao subir aquele palco meu coração batia forte. Ainda lembro da lua, das estrelas, das ondas do mar, da multidão na areia. Ainda lembro do óleo fresco do Espírito que correu sobre minha vida para profetizar naquela noite e do vinho novo que nos encheu. Parece mesmo que o espremer das azeitonas e das uvas faz jorrar algo puro e novo da parte do Senhor em nós. Muitas vidas foram salvas e abençoadas naquela noite.

Eu tenho incontáveis experiências ao longo desses quase 20 anos de ministério em que senti que era totalmente inapropriada e incapaz para a missão – e ainda assim o Senhor me enviou. Acho que Deus não quer que percamos o “frio na barriga”, a dependência dEle, como Jesus mesmo nos ensinou em João 15:5. “Sem mim vocês não podem fazer coisa alguma”.

Hoje em dia estou morando nos EUA e sou enviada por Deus para falar diante de multidões em uma língua que não é a minha língua mãe. Lembro de Moisés diante da sarça ardente. Em Êxodo 3 ele responde ao chamado de Deus como se dissesse: “Eu não posso fazer isso que o Senhor está mandando! Eu nem sei falar direito!”. E parece mesmo que o chamado de Deus vem e acontece não quando nos sentimos capazes, mas exatamente quando reconhecemos que não conseguimos por nós mesmos.

 

O CHAMADO DE DEUS ACONTECE QUANDO RECONHECEMOS QUE NÃO PODEMOS POR NÓS MESMOS

Parece que Deus espera até sermos desfeitos na nossa auto suficiência. Moisés havia tentado livrar seu povo dos açoites egípcios uma vez, mas com a força do seu próprio braço o resultado foi um crime (o assassinato do capataz egípcio) e sua fuga para o deserto. Por 40 anos isolado, fora do palácio, parecem tê-lo preparado como numa “Escola Divina do Desaprendizado”. Isso mesmo! Moisés teve que desaprender muitas coisas e só então, quando sequer imaginava que o chamado inicial de Deus em sua vida prevaleceria, é que estava pronto para ser enviado como o grande libertador de Israel. (Selah – Pausei para eu mesma meditar na profundidade disso).

Quantas vezes será que farei cursos nessa “Escola Divina do Desaprendizado”? Volta e meia a vida gira, ou melhor, a roda do Oleiro gira e me percebo como barro que se desfaz e precisa ser refeito. Atualmente passo por esse processo, por ter deixado o Brasil, minha Terra, minha língua, minha parentela, minha comodidade, minha casa, minha igreja, minha maneira costumeira de fazer o ministério, minha equipe, meus amigos, e parece que a lista não termina ao considerar tudo que deixei… Sinto-me completamente desfeita. Outro dia uma música que compus em 2009, da outra vez em que morei aqui, voltou ao meu coração: Teu amor me desfaz. Teu amor me refaz. Quebra tudo e faz de novo. E de novo Teu amor me desfaz…”

Da outra vez em que passei por algo semelhante nasceu uma nova experiência com Deus, com meu esposo, com meus filhos, e o ministério Mulheres e Homens DT. Eu jamais imaginei que poderia ter uma voz profética para as famílias, a base da sociedade e chave para a transformação das nações. Há um preço alto a ser pago para podermos cumprir o

Chamado. E ironicamente, o Chamado só será cumprido quando nos percebermos inadequados. (Haha! Não pude conter a gargalhada ao pensar no “senso de humor de Deus”, como bem se refere a ele o meu marido).

Já pensou sobre o chamado de Gideão? Em Juízes 6:15 posso ouvi-lo respondendo ao Anjo: “Eu? Sou o menos significante da minha casa. Tem certeza de que não deverias ter chamado meu irmão, que é bem mais carismático e criativo e ousado do que eu? Ou que tal a família vizinha, que é mais rica e influente na cidade?”. Quase posso me ouvir argumentando com Deus: “Por que me enviar aos EUA? Sou de um país “em desenvolvimento” (lê-se de 3º mundo, subdesenvolvido, menosprezado). Por que não escolheste uma pessoa mais alta, mais bonita, rica, de um país influente, de língua inglesa?”. E assim todos nós podemos nos identificar com homens escolhidos de Deus na Bíblia e que também não se sentiam qualificados. Parece que Deus realmente espera até nossa arrogância cair por terra para poder nos chamar e encorajar, impulsionar e enviar, assim como aconteceu com Moisés, e com Josué, e com Gideão e com Isaías (e tem acontecido comigo).

O que dizer de Jeremias? “Sou muito jovem”. E de Maria? “Sou virgem”. E de Pedro? “Eu neguei o Senhor 3 vezes”. E de Saulo? “Sou o pior dos pecadores e perseguidor da Igreja”. (Selah. Pausa para minhas lágrimas correrem…)

E você? Sente-se inadequado para o Chamado de Deus? Bem-vindo ao clube! Fazem parte desse grupo Abraão (incapaz de gerar o filho da Promessa), Moisés, Gideão, Davi, Isaías, Jeremias, Maria, Pedro, Saulo e há recém chegados como eu – Ana Paula – e você pode colocar o seu nome aqui também!

Você está enfrentando circunstâncias extremamente difíceis? Pode ser que Deus esteja fazendo com que isso coopere para o seu bem, na desconstrução do velho e na construção de algo novo que te capacitará a viver o seu destino eterno. Lembra-se da história do acidente de jet ski que contei anteriormente? Daquela experiência nasceu a música que se tornou a mais importante do meu ministério até aqui: “Preciso de Ti”. Foi na gravação daquele ano que o Senhor me dirigiu a gravarmos alguns versículos como II Crônicas 7:14 e Tiago 4:8 que convocam Seu povo ao arrependimento para que haja cura. Foi naquele ano que recebi a visão Brasil Diante do Trono e os grandes ajuntamentos começaram. Mediante tudo isso, só posso me render ao processo e encorajar você que lê a fazer o mesmo. Como começamos com a palavra do Senhor a Josué, quando da morte de Moisés (e você sabe o que isso significa), termino ministrando mais uma vez sobre sua vida (e sobre o meu próprio coração):

“Não fui eu quem lhe ordenei? Seja forte e corajoso. Não se apavore nem desanime, pois o Senhor, o seu Deus, estará com você por onde você andar” Josué 1:9.

(Só mais uma coisinha… Será que foi por acaso que esse foi o primeiro versículo bíblico que memorizei ainda criança? (Selah. Pausa de novo… E fico por aqui com “meus botões”).

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13/11

Onde está o seu Deus?

Postado dia 13 de novembro de 2015

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Por Gustavo Bessa

Ninguém está isento de passar por lutas e tribulações. Vivemos em um mundo difícil, que se corrompe e se deteriora a cada instante. As nações passam por crises nas mais diferentes esferas. Alguns países sofrem com as guerras e com as bombas que destroem cidades, casas, famílias e sonhos. Outros países vivem a angústia de não saber o que fazer com os imigrantes, com aqueles homens, mulheres e crianças que, fugindo das guerras, buscam desesperadamente pela oportunidade de recomeçarem a vida. É gente que não quer morrer e que se arrisca, movida por algumas faíscas daquela esperança que ainda sobrevive no coração.

Em alguns lugares, as pessoas se desesperam pela condição econômica e política de suas nações. Acostumadas com uma estabilidade econômica e social, elas sofrem diante das instabilidades da política e do mercado. As lojas permanecem abarrotadas com produtos que não atraem consumidores. As fábricas diminuem a sua produção e despedem os trabalhadores. O número de endividados cresce vertiginosamente e as famílias permanecem boquiabertas diante do quadro da desesperança.

O homem que escreveu o Salmo 42 também viveu uma situação de desesperança. Por alguma razão que não sabemos, ele estava vivendo no exílio, longe da família, dos amigos e da sua cidade. O seu maior desejo era o de se apresentar diante de Deus no Templo em Jerusalém (Sl 42.2). A sua vida havia sido virada de cabeça para baixo. Se antes ele conduzia as multidões à casa de Deus, naquele momento ele se encontrava sozinho (Sl 42.4). Se antes ele era admirado e seguido, naquele momento ele estava esquecido e abandonado. Aqueles que antes não tinham a coragem de lhe dirigir a palavra, naquele momento de desesperança lhe lançavam insultos e dúvidas, dizendo: “Onde está o seu Deus?”

Esses momentos de tribulação, lutas e dúvidas são experiências comuns na vida de inúmeras pessoas. No meio dessas batalhas, os adversários tentam se aproveitar da fragilidade dos nossos corações. Eu me lembro das muitas vezes em que o inimigo me lançou sugestões nos ouvidos. O inimigo pareceu colocar-se sorrateiramente ao meu lado e sussurrar: “Onde está o seu Deus? Será que foi Deus mesmo quem lhe falou para tomar aquela decisão? Será que Deus está do seu lado?”

Como é difícil ouvir essas sugestões que lançam dúvidas no nosso coração. No primeiro momento, como não somos feitos de ferro, nos entristecemos e choramos. A nossa tendência é a de nos prostrarmos desanimados, acreditando em todos aqueles sussurros lançados em nossos ouvidos. A nossa outra reação é a de abrirmos a nossa boca e orarmos a Deus, dizendo: “O que está acontecendo? Onde o Senhor está? O Senhor se esqueceu de mim? Tenho buscado viver em fidelidade e pureza, mas o Senhor não vê? Por que o Senhor permite que eu viva essas tribulações enquanto tantos homens maus zombam e riem de mim?”

Quem nunca fez orações assim? Eu já fiz esse tipo de oração muitas vezes. Há poucos dias, eu me prostrei para dizer a Deus, com transparência, todas essas palavras. Com a seriedade e a força do meu coração, argumentei com Deus e apresentei a Ele todas as batalhas que tenho enfrentado nesses últimos tempos. Sei que Ele me ouviu, ainda que, aparentemente, Ele não tenha mudado nada da minha situação externa.

Deus sempre ouve e sempre nos chama à esperança.

Foi assim que o salmista terminou a sua oração. Depois de falar e de se abrir com Deus (como se Deus já não soubesse de tudo!), ele se voltou para a própria alma e falou: “Por que você está assim tão triste, ó minha alma? Por que está assim tão perturbada dentro de mim? Ponha a sua esperança em Deus! Pois ainda o louvarei; ele é o meu Salvador e o meu Deus”. No final dos lamentos de desesperança e das lágrimas de lamento existem os testemunhos de fé e as promessas de esperança.

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02/11

Duas mulheres e um socorro

Postado dia 02 de novembro de 2015

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Por Ana Paula Valadão Bessa

Esse fim de semana estive em Orlando, na Flórida. Ministrei no Chá Das Amigas, um encontro com 400 mulheres, realizado pela Primeira Igreja Batista. Ali estavam representadas várias igrejas da cidade e pude conhecer um pouco melhor sobre o desafio de alcançar os brasileiros que vivem naquela região. Somente na Flórida Central há mais de 60 mil brasileiros e, atualmente, apenas 2 mil deles estão nas igrejas. Chegamos à conclusão de que os nossos compatriotas fora do Brasil são um povo não alcançado pelo Evangelho e precisamos de um mover do Espírito Santo para despertá-los. Enquanto orava pela Palavra que eu deveria entregar, a história de duas mulheres vieram ao meu coração e compartilho com vocês.

II Reis 4:1-37 conta a história de duas mulheres. Elas se tornaram conhecidas através dos séculos porque experimentaram milagres em suas vidas. Elas se tornaram referenciais para nós, que, hoje, também precisamos de milagres em nossas vidas. Vamos observar as duas mulheres desse capítulo e vamos aprender com elas (Leia as duas histórias).

Que relato maravilhoso! Vemos que as duas mulheres estavam enfrentando situações difíceis. Mas mais do que difíceis, eram circunstâncias impossíveis. Problemas para os quais elas não tinham solução. Elas experimentaram milagres!

Quantas vezes nós também enfrentamos situações assim? Problemas para os quais nós não temos solução? Qual é o seu problema, mulher? Você precisa de milagres em sua vida? (Pare um minuto e pense).

Para a primeira mulher, o problema era uma dívida enorme que ameaçava até a vida de seus filhos. Sabemos como os problemas financeiros podem afetar os relacionamentos, a vida da família. Há famílias que se desfazem debaixo das pressões financeiras.

Para a segunda mulher, primeiro havia o problema da infertilidade, e depois a morte do filho. Os dois problemas eram impossíveis para ela solucionar por si mesma.

As duas mulheres tinham problemas gravíssimos. A primeira era pobre. A segunda era rica.

Lição número 1- O dinheiro não era o socorro dessas mulheres.

Quantas mulheres estão correndo atrás do dinheiro, pensando que ele é a solução para tudo! A primeira mulher não foi em busca de um trabalho primeiro. Ela não foi se prostituir em busca de um atalho para solucionar aquela dívida. Quantas mulheres negociam valores morais, éticos, do seu caráter e da sua fé para permanecer em um trabalho de onde pensam que vem o seu socorro. Cedem a patrões que as assediam sexualmente. Falam mentiras que “precisam” ser ditas em uma negociação. Essas mulheres estão confiando no dinheiro como seu socorro.

Aquela mulher não vendeu seus filhos como escravos para solucionar aquele problema financeiro. Não! Quantas mulheres estão sacrificando a vida de seus filhos em troca de uma vida financeira mais tranquila… Não! Nada se compara à presença da mãe na vida de um filho. A presença da mãe na vida dos filhos vale mais do que um bom tênis de marca, do que uma escola melhor, do que brinquedos caros.

A segunda mulher era rica. É interessante que quando o menino morreu ela não saiu correndo atrás de um médico primeiro. Ela tinha os recursos. E nós? Quantas vezes nos apoiamos muito mais no socorro terreno que as finanças podem nos dar? Nos sentimos seguras se temos um seguro de saúde mais caro? Se temos o melhor médico, se podemos pagar pelo melhor tratamento? Tudo isso pode ser bom, mas o dinheiro não pode comprar saúde. Na verdade o dinheiro não pode comprar as coisas mais preciosas da vida.

“O dinheiro não é o meu socorro” (repita)

Vamos olhar para as duas mulheres mais um pouco.

A primeira era viúva, não tinha marido. A segunda era casada, tinha marido.

Será que no lugar da primeira mulher nós não iríamos buscar socorro em um marido rico? Um homem que pudesse assumir nossa dívida? É claro que é difícil criar dois filhos sem a ajuda de um homem, da figura masculina e tudo que ele representa. Mas não foi isso que essa mulher fez. Ela não saiu atrás de um marido.

A segunda mulher tinha marido. É interesante ler como ela não compartilhou sobre a morte do menino nem com o marido! (Leia os versos 22 e 23).

Lição número 2- O marido não era o socorro dessas mulheres

Há mulheres que pensam que a solução de todos os seus problemas está em um marido. Mulheres solteiras que não conseguem ser felizes e pensam que a solução está em se casar. Se fosse assim, os gabinetes de aconselhamento pastoral não estariam cheios de mulheres casadas cujos problemas são exatamente os maridos!

Outras mulheres, casadas, pensam que a solução está em deixar esse marido e encontrar outro marido.

Isso me faz lembrar do encontro de Jesus com outra mulher, a Samaritana. Em João 4:4-42 lemos sobre esse encontro e a conversa que tiveram. A vida daquela mulher e de toda a sua comunidade foram transformadas por causa do encontro que ela teve com Jesus (Leia os versos 13-19).

Jesus via a sede que aquela mulher tinha por ser feliz, e via que ela estava buscando saciar sua sede em relacionamentos. Mas homem algum pode trazer o socorro que precisamos. Nem mesmo para os problemas que enfrentamos na vida. Nem mesmo para as angústias interiores, o vazio que temos dentro do nosso coração.

Precisamos tirar o peso que colocamos sobre os homens. São expectativas que serão frustradas, pois os vemos como se eles fossem nosso socorro, nossa solução, nosso Deus. É claro que foi o próprio Deus quem estabeleceu o casamento e nos formou para completarmos um ao outro. Mas como disse Agostinho: O coração do ser humano tem um vazio infinito que somente O Infinito pode preencher”.

O marido não é o meu socorro” (repita)

A primeira mulher foi falar com o profeta. Ela foi atrás de Eliseu. (II Reis 4:1). Ela seguiu todas as suas instruções em fé e obediência, ainda que parecessem loucura. Ela confiou na instrução de Deus para ela.

A segunda mulher, a sunamita, foi atrás do profeta, foi buscar Eliseu. Ela deu ordem ao servo para ir rápido e não parar no caminho. Ela não compartilhou o problema com ninguém, nem com o marido, nem com seu servo, nem com Geasi. Ela agarrou as pernas de Eliseu e ele teve que ir com ela até seu filho morto. Ela sabia que somente Deus era o seu socorro.

Lição número 3 – O meu socorro vem do Senhor

Não estou aqui advogando para que tenhamos um profeta a quem buscamos quando estamos enfrentando problemas. Algumas pessoas desenvolvem uma dependência espiritual para com outras pessoas e ao invés de crescerem na fé e aprenderem a buscar por si mesmas, ficam sempre dependentes de que outros orem por elas. Precisamos entender que naquela época buscar a Eliseu era buscar a Deus. Eliseu era chamado “O homem de Deus”. Naquela época o Espírito Santo não havia ainda sido derramado sobre toda carne. Eliseu era o profeta que carregava essa Presença de Deus e por meio dele os milagres eram operados. Mas hoje vivemos o cumprimento da profecia de Joel 2:28,29, em que o Espírito foi derramado e todos nós podemos ser cheios do Espírito Santo! Jesus disse que os sinais seguirão os que creem nele (Marcos 16:17)! Você mesma pode ser cheia do Espírito Santo e ver os milagres operando em sua vida e na vida de outros por seu intermédio!

Ainda assim acredito no poder da oração em concordância, em parceria com outras pessoas de oração (Mateus 18:18,19). Não devemos sair espalhando nossos problemas para qualquer pessoa, mas precisamos nos unir com gente que ora de verdade e juntos concordarmos declarando a Palavra de Deus sobre nossos problemas. Leia o verso 26. Quando pessoas que não são verdadeiras companheiras de oração perguntarem sobre sua vida, apenas responda: “Está tudo bem”. Mas quando estiver com gente de oração, prostre-se, chore, clame, até que o Senhor te responda (verso 27,28,30)!

“O meu socorro vem do Senhor” (repita)

Precisamos tomar nossas armas espirituais: II Coríntios 10:3,4 (leia)

Para buscar o socorro do Senhor vamos assumir nossas armas espirituais e não mais lutar na vida com as armas carnais. Quais seriam algumas armas espirituais?

– A oração: Efésios 6:18; Filipenses 4:6

– O jejum: Mateus 17:21

– A adoração: Salmo 22:3; Salmo 149

– A santificação: “Sabemos que todo aquele que é nascido de Deus não vive pecando: antes o guarda aquele que nasceu de Deus, e o Maligno não lhe toca” I João 5:18.

 

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